quarta-feira, 10 de agosto de 2016

SEM NOTA

Você se torna o ser mais imprestável do mundo quando o assunto é dívidas. Elas chegam mansamente e quando tenta contê-las não há mais tempo. É pior que enxurrada de verão invadindo a várzea habitada. Mas, sempre me pergunto: ainda não aprendeu a lição? A conta é clara. Melhor, os números são exatos e se “x” é maior que “y”, sendo “y” o seu ganha pão mensal, a conta nunca fechará. 

Porém, o ser é teimoso e uma das facetas internas sempre entra em ação libertando o desejo de consumir. No final, na verdade (risos) fica sem final o rombo estabelecido será a única forma de conter o consumismo. No entanto, é certo que nem sempre envolve o consumismo e dentro da variável tempo ocorre assuntos urgentes e emergentes que não podem esperar. Dentre esses assuntos está o seu lar. Aquele local onde se busca no fim de cada dia de serviço e mais agentes o aguardam ansiosamente todos os dias e, as necessidades básicas são prioridade para o momento. Mas, torno a remoer o interior e tentar encontrar as falhas. 

Dessa maneira o estado de espirito piora e o consolo é entrar e associar a ideia de que é importante manter a calma para evitar mais transtornos. Contudo e, de alguma forma, o ser necessita de uma distração, mesmo que seja lidar com juros astronômicos por longa data. Talvez, dentro dessa loucura seja possível abstrair-se da brevidade e aguardar um novo amanhã... 

JRA(o poeta da verdade).

sexta-feira, 24 de junho de 2016

PEDIR

Hoje não te reconheço como ontem. Me pedes algo além do meu alcance e, boa sorte daqui por diante. JRA ( o poeta da verdade).


Prezado blog. Sei que há tempos pede e suplica a minha presença. Assim, hoje te visito para suprir o teu pedido, nobre amigo. Vamos, lá! Talvez o verbo mais conjugado desde sempre é o “pedir”. Deixemos o advérbio de lado e que seja empregado a afirmação de que realmente pedir é ação imediata. Bom, a todo momento dificuldades seguem em nosso dia a dia. Então, a mente ativa o pedido de socorro a energia invisível dentro da fé de cada um. O interessante que o pedido em questão ocorre somente na derradeira sentença da dor extrema. Mas, (risos) deixemos de lado a enfermidade e tratemos do interior mais sombrio da alma humana quando o assunto é dinheiro.

– Você pode me ajudar? A outra parte verbaliza inocentemente.
– De que maneira meu camarada? Sem esperar lá vem o golpe certeiro ao ouvinte sempre presente até ali. Você me empresta dinheiro, meu amigo?


Daqui por diante o silêncio opera imperioso e, conforme o retorno de resposta ambas as partes dali por diante serão estrangeiros. Todavia, o tempo da parte pedinte não há mais e do outro lado o ouvinte já tem a certeza que o montante será indulgenciado porque receber será outra ação envolvendo o ato de pedir, em vão. Contudo, notoriamente esse fato é histórico! Dentro da divisão de classes até mesmo antes de surgir a palavra dinheiro de alguma forma pedir capital, pedir mercadorias, pedir qualquer coisa que envolva a posse material mexe com o interior de cada ser e inúmeras guerras brotaram desde então. Porém, Isso é muito singular! Todo o esforço e, em alguns casos duvidosos, a abastança oferta a possibilidade longínqua para muitos. Pois, acumular é sempre pedir mais e construir pares cada vez mais reduzidos. Não há como ser diferente. Esse ato de pedir envolve ganhos, proveitos e dentro dessa temática o lado estrategista sabe que em pouco tempo o pedinte estará à mercê do colapso total. Presentemente ocorre isso. Por todo lado inúmeros pedintes sufocam a outrem porque as instituições de crédito ilusório o desqualificam abundantemente. Não existe mais pontos positivos. Você não é válido de credibilidade, confiança e fé. Estranho (risos) novamente a palavra fé ressurge num momento que a enfermidade presente é apenas o bolso furado e nada mais. Nesse instante o país que abona elevadas taxas de juros aos inúmeros pares endividados cria, ou melhor, abastece o pedido do onzeneiro de plantão e atento. Entrar nesse meio é firmar a sentença de... e, nunca mais sair. Mas, voltemos ao tempo. Lembrar é pedir por tempos em que a falta de cuidado em prever se misturou com previsões climáticas sempre incertas. Hoje as intempéries do dano cobram a ação imediata do pedido de abrigo de ontem e, nem sempre possível para muitos. E, assim o pedido segue: 

Lembre! Pedir é muito mais difícil quando envolve a outrem e menos complexo quando envolve o invisível, que somente dirá não ao mendicante conforme se estrangula seu escasso, tempo. 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

CONTINUAR...

Hoje é especificamente um dia por obrigação de desejos de prosperidade. E, de alguma forma perante as atrocidades passadas, presentes e vindouras, se tenta maquiar a condição atual dos mais diversos seres espalhados, jogados ou alojados por ai a fora e confortar. Então, pensei em acordar diferente. Ter tamanho bel-prazer em fazer a barba, colocar aquela música para propagar-se pela casa com força, mesmo diante da limitação do volume do aparelho e a vontade de amplificar cada vez mais, contudo, fazer diferente e especial esse dia. Abrir a janela e apesar das nuvens gris cercarem o meu ambiente, sentir com intensidade o amanhecer. Mas, a mente do sujeito realmente é nociva.

Logo, lembro-me das obrigações. Não com o meu ser que pede e suplica por esse único dia, e sim, com os arredores de afeto. Lembro densamente da condição sociável de compartilhar, de congregar e por fim celebrar. Distribuir presentes também, contudo, esse dia deve ser um dia como outro, ou não? Para o meu momento, não. Então, o aparelho de cd quase finaliza sua sonoridade e a música presente e traduzida diz: “Seguindo em frente ou Continuar”. Sim! Esse é o anseio que esbarra sempre na dependência. Seja ela química ou emocional, cria instantes complexos de solidão profunda e por que nesse dia, em específico? Os holofotes comerciais ditam e estão centrados para essa finalidade. Porém, isso é clichê desterrado pelas dores do observar e careço seguir em frente. Então, busco alguns trechos da melodia gringa e a tradução sugerida digita isso: “É uma outra noite solitária;E uma outra cidade solitária;Mas eu não sou jovem o bastante para me preocupar;E eu não sou velho o bastante para chorar”.

Caracas, pra não dizer outra coisa, na mosca! A melodia gringa traduzia fielmente o meu estado de espírito, independente da tradução exata essas palavras eram as que faltavam. No entanto, de nada adianta saber, entender e perceber o que se passa. Há uma casta superior sempre a frente das ações e lá vai novamente a minha mente interpor entraves para a minha alegria momentânea. Sei eu da somatória de trechos da vivência que se acumulam nesse instante. É parcimônia paranoica coletada dia após dia de aflição, mas hoje tem que ser diferente.  Dessa forma dou alguns socos na cachola e a nova sintonia entra em fusão com a melodia gringa novamente. A música está acabando e o dia apenas começando. Preciso de um socorro. Abro a gaveta e a folha em branco com o lápis sobre ela, não curam como antes. Fecho com violência a gaveta. Puxo os cabelos e de frente ao espelho os olhos arregalados tentam marejar. Tolice! Isso não funciona mais. A face que procuro não é a mesma que compete com o espelho agora. Saio do lar.

 O volume não me alcança e limitado percebo novos sons desse dia. A música gringa nesse momento espalha o fúnebre sino. Sento, cruzo as pernas e a calma penetra profundamente. A mente inquietante dá a sua trégua e consigo criar o diferente. É um dessemelhante bizarro, contudo, o suficiente para conseguir, mesmo que por alguns instantes, seguir em frente e continuar um feliz dia, feliz natal, feliz seja o que for, mas que seja feliz hoje e sempre, ou por alguns momentos! Mas, seja...

JRA(o poeta da verdade).

terça-feira, 11 de agosto de 2015

CONSIDERAÇÃO


Certo amigo de longa data, mas que reside em outras paragens confidenciou alguns momentos de angústia quando eu o visitei em uma das minhas muitas andanças onde nos querem bem. Dizia o fulano o seguinte:

A todo instante caminho pela casa. Procuro razões, pensamentos e explicações para o momento. Por fim, torno a caminhar, pela casa. A noite é desmedida! E, diante de tanta ansiedade uma palavra surge clara e pulsante em minha mente: consideração. Isso mesmo, apreço pelos demais habitantes do mesmo teto da parte que pouco se importa se é dia ou noite. Então, tento penetrar um pouco mais e direcionar expressões de acendimento para evitar algo pior ao dito cujo. Todavia, a inércia prevalece no ser hiperativo. A outra parte me cobra energicamente determinação e ordem. Acuado, percebo estar travado no tempo e a decisão desaparece. Está escrachado que o passado de dor não trouxe amadurecimento algum. Por quê? Bom, essa questão não me pertence, pois intrinsecamente a outra parte carece de uma força maior para achar a resposta. Enquanto isso ao adentrar no quarto do meu filho – sim, o dito cujo e causador do caos é meu filho – encontro duas caixinhas repletas de pontas de cigarro e algo mais que não me atrevo descrever, mas conheço a procedência. O fumódromo alastrou substância tóxica em demasia por toda a casa.  Aquilo me estremeceu por dentro e uma mistura de ódio, rancor e raiva, se consolidaram em lágrimas. Nem sei ao certo porque ou por quem eu chorava. Naquele instante meu espírito vagava no passado. Lembrava-se das lágrimas de outrora, porém, despejadas na face de outra pessoa que plantava expectativa no coração. Naquele tempo o vício lícito que, perpetua até hoje, minava as forças da ancestre esperançosa. Talvez, seja hereditária a falta de força de vontade. No entanto, o que doía em excesso no meu peito era o fato das caixinhas serem da irmã mais nova. Imagem amaldiçoada que fiz questão em fotografar pra lembrar-se daquele dia. Na verdade só o fato da fragrância desprezível ficar enraizada em cada cômodo, mais e mais a falta de consideração destruía o meu interior. Mas que praga de guri! Pra que tudo isso?  Interrogações, exclamações e uma infinidade de elementos linguísticos se multiplicavam em minha mente. Então resolvi partilhar isso com você meu amigo. Me desculpe por tirar um pouco da energia ruim de dentro e repassar a ti. Enfim, nesse ato me deparo com os inúmeros pedidos para que não fumasse na casa. Nem eu, nem a esposa (madrasta) e muito menos a pequenina irmã dele, fumamos. Contudo, o pedido em vão seguia. Hoje, uma dura decisão deverá ser feita. O resultado, somente o tempo dirá.


Após o ato abracei-o intensamente. Pedi que ponderasse um pouco mais sobre a decisão que também confidenciou em meu ouvido. E, já no ponto de embarque percebi diminuto sorriso na face sofrida. Dali pra frente somente o tempo realmente dirá, alguma coisa. Espero que esperançosa. Pelo menos é isso que esperamos das novas gerações. 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

44 DEGRAUS

Muitos fragmentos espalharam-se no tempo. Verso, prosa, pensamentos e lamentos, unem-se sempre ao chegar dessa data. E, o momento equivale à articulação duma escada viva de quarenta e dois degraus suscetível ao desce e sobe, constante. Nomeá-la é ato pensado a todo instante, pois o que chega à mente vibrante, agora, corresponde a lembranças e mais lembranças das mais variadas matizes. Amigos, família. Mais amigos, família. Pseudo-amigos, família.  Muita gente junta, outros nem tanto e, família. A doidice de toda essa enormidade de encontros e desencontros abrange certo deus-nos-acuda, uma vez que a paridade com outrem determina família igualmente, e, os trejeitos estranhos expandem-se nessas sucintas lembranças eternizadas em meu íntimo, hoje. Contudo, ao invés de alargar essa alameda interna, procuro taciturnamente encontrar uma única faceta que detalhe o meu “eu”, hoje! E, deixe de lado os diversos atores constituídos durante a subida e descida dos quarenta e dois degraus atemporais. Tento, então: quem sou , eu? O que sou, eu? Por onde anda o meu, eu? Perguntas e mais perguntas não cessam. Porém, a última questão é singular por demais. Estratifica, ou pelo menos tenta modelar forma ao indivíduo que, expressa palavras em busca de resposta inusitada e exclusiva para abrandar o espírito.

No entanto, noto repentinamente abrir a porta minguada do inesperado de momento, revelando o subsolo de minha mente. Lá, tudo está oco e vago. Nuvens gris e despidas de claridade para engenhar algum sentido, norteiam apenas a prosseguir em inércia. Mas, voltemos a tal escada. A passagem das primaveras que indicam o meu dia, sempre estão dessintonizadas, pois estamos à beira do inverno e a tal escada de quarenta e dois degraus, hoje se torna quarenta e duas primaveras já citadas em outro texto no blog da emoção. Contudo, prolonga-se minha ansiedade. Por onde anda o meu, eu? Certo dia , pessoa estimada confidenciou seu coração delineando sua escada. Em silêncio, permaneci. O lamento perdurou à noite. Ao fim do discurso apenas proferi escassas palavras: O que deseja? A outra parte fitou rapidamente meu semblante sério e saiu. Senti angústia. De maneira alguma se compara a angústia presente, hoje. Tentei caminhar no resto de noite que sobrara. Há tempos o ar noturno não era percebido e estrangeiro me senti. De lá pra cá me deparei com essa amaldiçoada escada. Tento estender os degraus. O material ofertado é escasso e pesado. Apelo para as lembranças, novamente. Aquilo que chega é tosco e febril e é o único material disponível de momento. Todavia, essa é minha escada. Constituí-la é necessário e no aguardo da vindoura, pondero:

“Por onde anda o meu, eu? Anda impregnado em cada instante conquistado através do voto de confiança de outrem que, se lembra do meu eu com alegria. Assim é a minha escada de 44 degraus, hoje.”


quarta-feira, 6 de maio de 2015

CINCO REAIS


Sim! Cinco reais observei tremular na mão do diminuto menino sorridente. Porém, antes de retratar todo o contexto fico frenético em pensamento tentando buscar todas as possibilidades que, a dita nota pode adquirir nos tempos atuais. Acredito que são ínfimas em demasia. Por outro lado, seja qual for à intenção em adquirir mercadoria com essa quantidade o ato será danoso conforme o caminho empregado. Por quê? Oras, por todo canto, seja aqui na terra de pouco pinhão, ou, nos demais locais desse país desigual, compra-se riambas a céu aberto de noite e de dia. Bom, nem me atrevo muito em se aprofundar neste assunto, pois dessa desgraça passo longe e o entendimento que tenho sobre o tema acumula apenas na mente os inúmeros óbitos presenciados no dia a dia de serviço.Soma-se também a marca dolorosa, mas muito mais doída nas famílias enlutadas. Enfim, volto a arriscar satisfazer a ideia de que posso conseguir alguma coisa com os míseros cinco reais e lembro-me dos tempos que usava o transporte coletivo para alguns deslocamentos. Todavia, a era presente informa que o meu quinhão apenas contempla a possibilidade de embarque na condução lotada, pois o retorno será a pé ao lar. Por outro lado, o estômago ronca peculiarmente informando a necessidade de comer. Ai a condição da mísera porção de bufunfa irá calejar mais ainda meu estômago dilatado! Porque apenas um salgado amanhecido do boteco desprovido de higiene não será o suficiente.  É, realmente está difícil por demais alcançar sobrevida com essa infeliz quantia. Então, após dura briga com as palavras na tentativa de enganar o pensamento, o jeito é deixar o sentimento extravasar e nesse instante a imagem do guri com sua nota de cinco reais não sai da minha cabeça. Exato! Não sai da cabeça, pois no coração já está cravada e nunca imaginei presenciar aquilo depois de uma noite de correria. O palco da cena era a farmácia do bairro e como há várias não irei fazer propaganda gratuita, a não ser que isso contribua em aumentar as notas de cinco reais ao meu pequeno menino sorridente.

Certo, chega de enrolação, vou direto ao assunto amigo leitor, mas alerto: seria excelente se fosse ficção, seria melhor ainda se fosse sonho, pesadelo, devaneio onírico desse escrevinhador, no entanto, não é... e o colírio que devo usar até o fim dos meus dias preciso de duas notas de cinco reais e mais alguns trocados para conseguir e foi por esse motivo a ida até a maldita farmácia. Porra, Zé! Por que maldita farmácia? Sim, ela é o meu mal necessário e de inúmeros quando o assunto é drogar o corpo na busca de cura para as enfermidades e por ser local de freguesia em abundância, só falta encontrar resistência de chuveiro por lá. No entanto, o que encontrei foi o menino. Na verdade ele me abordou na porta de entrada e pediu algumas moedas e como relâmpago lembrei no ato de uma crônica de minha autoria escrita há tempos intitulada “O Menino do Sinaleiro”. Para abreviar certo trecho dessa marca, também eterna em meu coração, apenas sei que os atores são distintos, mas o drama dentro do lar é idêntico, ou seja, angariar moedas para garantir o sustento de cada dia. Assim, devido a minha pressa e por ser cliente assíduo do dinheiro plástico nenhuma moeda pude ofertar ao guri. Então, entrei, conversei com a atendente e após carregar o medicamento até o caixa me deparei com o menino dentro da farmácia. Os clientes ali presentes e as moças dos caixas tinham a exata certeza que o maltrapilho pequenino iria roubar algo. Isso era claro na visão de todos, mas na minha, não. O que travou o meu pensamento para seguir ímpar? O que fez a minha mente viajar e locupletar os olhos com encanto enquanto via o menino correr pra lá e pra cá com a nota de cinco reais feito bandeira da pátria em desfile? Estava deflagrada a desordem. Minha mente guerreando com meu coração elevavam os batimentos cardíacos e ao menino restava à felicidade de sonhar que, poderia comprar todos os doces possíveis com aquela nota, e num repente segurei a mão do menino e pedi que escolhe-se o doce que quisesse. Espantado ele me olhou, guardou a nota e pegou um pacote de balas. Nem sei qual doce era, ou melhor, sei pois tenho o ticket guardado e pedi para a moça do caixa registrar a mercadoria e liberei o menino. Achei estar fazendo o correto ante a situação, mas o infeliz engano veio de imediato ao sair do estabelecimento e presenciar a mãe do meu protagonista, beliscá-lo e a solavancos sacudi-lo em busca de respostas. Você está com a nota na mão! Você pegou escondido o pacote de balas? Nesse instante intervi de imediato dizendo que comprei o doce e não fizesse aquilo. A mulher se aproximou. Seu olhar cansado penetrava intensamente no meu íntimo. Não havia refúgios secretos para os meus subsolos mentais, que a dita mulher não pudesse alcançar naquele momento e em tom veemente falou: Obrigado, senhor... mas, preciso lhe falar. O pai do meu filho nos abandonou e sei que passo por inúmeras dificuldades atualmente. Contudo, uma coisa é certa: educo meu filho para nunca pegar nada de ninguém, mesmo diante da maior necessidade. Hoje, o senhor pode notar nosso carrinho de mão cheio de papelão, porém, amanhã pode ser o contrário. 

Todavia, a única nota que consegui hoje é esse cincão que o senhor observa e dei para ele comprar um doce nessa farmácia. Muito obrigado e Deus abençoe o senhor. Muitos outros dizeres saíam da boca daquela mulher sofrida e cada vez mais seus olhos falavam com minha alma. Por fim, disse que não havia necessidade de agradecer e retornei ao lar, mas a proporção da agitação estabelecida em minha mente aumentava fartamente e, ao me deparar com o ticket da farmácia notei o valor do doce. Perante a exatidão do registro faltaria cinquenta centavos para o meu pequenino sorridente e certamente o sorriso iria desaparecer de sua singela face após sair sem a guloseima desejada. Talvez, alguém auxiliasse com uma moeda a mais da maneira que o menino me pedira antes. Será? Minha mente inquietante atomizava cada vez mais os questionamentos encurralando minha razão. Então, abri a porta. Observei a noite da maneira que sempre gosto de fazer e notava a lua em sua fase de cheia taça e um suspiro vindo da imensidão confortou meu coração, sussurrando em meu ouvido: sei por que temes os conflitos presentes e os vindouros, todavia, lembre sempre dos gestos que mudam o mundo quando há boa vontade. Agora descanse, sua luta se inicia, agora. Confortado abaixei a cabeça. Sabia que outro ser carecia da minha presença. Entrei no lar novamente. A bonança me fez dissertar vastamente para quem me esperava repleto de angústias e dúvidas, sentado no sofá. Aquela noite foi eterna. Rancor e ódio eram desenterrados e enterrados de tal forma que me surpreendiam. E, no fim da última fala, um dos seres mais preciosos na minha existência, dizia: Preciso conquistar sua confiança novamente, pai. Sei que preciso provar isso. As lágrimas ultrapassavam os limites da face. Era choro de felicidade! Felicidade dessas que cinco reais, cinco mil ou cinco milhões não podem comprar, pois o alento da alma e espírito não se compra, ou, vende dessa maneira. Apertei sua mão. Abracei-o mais forte ainda! E, disse intensamente como a mulher sofrida havia dito a minha pessoa: você nunca perdeu a minha confiança, filho. Descanse. Nossa luta começa, agora. Terminado o ato inúmeras respostas havia encontrado para as questões lacradas nas caixas guardadas em minha mente, mas isso é uma outra história (risos)...


 Bem-vindo seja todo o momento presente quando a razão abre espaço ao sentimento. Dali por diante nossa caminhada sofrerá mutações desejadas, ou não! Mas, o importante é tirar de dentro o que incomoda e aliviar, o pensamento. 

JRA ( o poeta da verdade).

quarta-feira, 1 de abril de 2015

BATALHANDO

Bom, aqui eu sei que sai na íntegra tudo que escrevo pois o blog é meu rs... Eita, saudade !Ah, o texto abaixo são alguns fragmentos sobre o tempo de serviço em ambiente hospitalar e algo é certo: o ambiente é duro por demais, todavia, as amizades ficam registradas eternamente em nossos corações. Segue lá:

"Curitiba, catorze de novembro de mil novecentos e noventa e sete. Mais precisamente uma manhã de sol no ambiente da dor (pronto-socorro) começavam meus primeiros passos nesta instituição de saúde. Lembro-me de um dizer meu sobre ser provisório e assim segue o transitório que, dia após dia somam-se noites e mais noites de trabalho. Nas minhas contas havia ultrapassado a marca de mil noites longe do lar e do descanso necessário para a mente e o corpo! Observando os mais diversos dramas na busca da solução imediata. Pelo menos é isso que se espera de um pronto-socorro: “atendimento imediato”. Igualmente, os dias de comemoração de fim de ano, mais de sete natais de serviço e na mesma dose a mudança do ano velho para o novo passei longe dos familiares. Talvez seja bizarro, pelo menos para mim, dizer ano velho para o ano novo, pois são algumas horas que limitam o encontro de ambos, mas na verdade são horas terríveis de muita dor e angustia em ambiente hospitalar. Enquanto muitos festejam, outros tantos lamentam a perda de um ente querido pela violência urbana, ou até mesmo, pela solidão que martela sua mente a pedir um desfecho para a maravilha que é viver. Contudo, este ambiente é o que mais testa o indivíduo diante da sua índole e crenças. Morre mais do que vive e perdi a conta dos inúmeros procedimentos de emergência que presenciei e os óbitos com requinte de violência e crueldade que, um a um hoje na minha mente são centenas. Foram toracotomias (abertura da cavidade torácica), drenos, entubamentos (tubo na traqueia para facilitar a respiração), massagens cardíacas etc. Enfim, métodos aplicados onde o corpo inerte é simplesmente, nada. Lembro perfeitamente o meu primeiro dia de plantão como recepcionista porque quase desmaiei depois de presenciar uma fratura exposta de perna, aonde o motoqueiro iria se submeter a uma amputação, devido à gravidade do acidente. A moça que me treinava na confecção das fichas de atendimento dos pacientes, dizia: - Se quer o emprego vai se acostumando! E desde então fui me habituando. Nunca me passou pela mente que aquilo era o mínimo a ser visto diante das inúmeras mutilações que se somaram noite após noite. Algumas marcam até hoje na lembrança e superar isto nunca foi tarefa fácil. Outro obstáculo a superar era o dia, pois aos poucos troquei quase que literalmente o dia pela noite, porque no princípio foram apenas dois dias de treinamento diurno e então fui remanejado para o turno da noite para suprir a carência de pessoal. Consegui de certa forma superar um pouco este desequilíbrio e o dia claro e imponente de sol, não me incomoda tanto. Todavia, colocava e coloco Deus como minha estrela guia e minha família meu chão firme, e, muitas maneiras busco para fugir dessa energia ruim e separar isto do dia a dia longe do trabalho. Uma delas é a escrita. Sou escrevinhador nas horas vagas e através de meus escritos participei de três Bienais do livro como coautor. Porém, a maioria acha que cessar isto é fácil mudando de ambiente. Todos os dias bato de frente com esta questão e no fim se torna mais um dia de trabalho. Sei que o crescimento foi sofrido e continua sendo, mas depois de alguns anos entendi que se tornou uma maneira interessante de analisar a trajetória dos inúmeros colegas que se perderam pelo caminho. Digo isto porque o caminho se divide da seguinte maneira: ou você se torna um individuo fechado, individualista e frio, ou, você se torna um individuo compassivo, hospitaleiro e receptivo. Não há outros caminhos além destes! É um ambiente de guerra! É uma batalha insana de uma conquista de terras inexistentes e riquezas surrealistas! Pra fechar este trecho comento apenas uma marca, ou melhor, duas entre viver e morrer: 1ª marca: quase cinco horas da madrugada gelada de um dia de junho, que não me recordo o ano e uma viatura da PMPR (Policia Militar do Paraná) chegou a todo o vapor e após a frenagem adentrou com um nato vivo que encontraram numa lixeira. Foi algo alucinante e pela primeira vez senti vida surgir no contato de todos com o que presenciava no ambiente da dor. A genitora era uma incógnita, mas o ato heroico dos policiais me emocionou. 2 ª marca: 23h11min de uma noite de verão e mesmo no atropelo dos ponteiros do relógio adiantado pela praga do horário de verão (horário de verão em pronto-socorro é caos) mais uma noite se somava e apenas tenho o registro do fato sem lembrar novamente do ano da cena terrível que iria presenciar. Desta vez não foi a PMPR que trouxe a suicida compulsiva que tinha vários registros de atendimento no ambiente da dor. No relato dos familiares era a quinta ou sexta vez que tentava contra a própria vida e pra piorar era gestante de quatro meses. Encontraram-na desmaiada há horas e juntamente com os diversos medicamentos que ingerira, tinha veneno de rato e bebida alcoólica. Não havia mais o que fazer e cada um que estava presente naquela noite viram uma vida lutar contra a morte sem chances, pois era o feto que se agitava e mexia-se numa luta alucinante para sair. As lágrimas se multiplicavam e cada um sentiu se inútil e com as mãos amarradas a apenas presenciar a morte chegar mais uma vez. 

Então, depois de alguns anos como recepcionista abriu uma vaga em outro setor e achei que deveria mudar de ambiente. Passei na seleção interna e  o novo desafio era mais intenso. Fui auxiliar de escritório do Serviço de Necropsia Clínica e Morgue. Por lá fiquei até remanejarem todos os funcionários e repassar ao Serviço Social a responsabilidade pelo atendimento. Nesse momento ocorreria nova mudança de horário e setor. As inúmeras noites de serviço chegavam ao fim e adaptar-se ao horário diurno fez refletir sobre um pensamento meu: “Basta à ação de outrem sobre nós, efetuando mudanças indesejáveis, para que as transformações ocorram de forma fulminante e implacável. Tudo isso veio de encontro com as reformas na minha atual casa e, algo tocou profundamente o meu ser quando a fala do pedreiro findou a obra, pronunciando:“ cada obra que eu inicio, ou, vejo surgir, tenho em mente que se começa errado, termina errado”. Pouca atenção eu dera naquele momento, uma vez que se tratava de um bêbado infame e a muito custo via minha casa surgir perante os entraves. Todavia, a obra errada fora iniciada e não havia como, parar. De lá pra cá as transformações seguiram e hoje percebi a potência da fala do infeliz pedreiro recomeçar novo processo de mudanças perante uma única ação. Qual seria? Bom, por longos quinze anos a labuta do meu ser seguia a dura rotina da noite e mesmo infiltrado em ambiente malogrado, sempre consegui resgatar resiliência e paciência para superar esta condição. No entanto, aquelas inúmeras noites trabalhadas foram reduzidas a pó após receber a notícia da extinção do setor em que eu trabalhava e optar por continuar ou não na instituição tendo que trabalhar no período diurno. Aquela ação trouxe sensação terrível. Seria possível seguir adiante sabendo que a noite traz o silêncio e o pensamento? Optei por continuar. Sim! Preferi continuar e assim a ação se transformou em mutações indesejáveis. Percebia o quão é grandioso o esforço para superar e tentar de todas as formas equilibrar as energias interiores, porque semelhança alguma encontrara perante o novo ambiente para poder ou ao menos conseguir sentir a atração do semelhante, da mesma maneira que eu conseguia no decorrer das longas horas noturnas de serviço. No entanto, a movimentação afetava o lar. Os demais entes percebiam e sugavam a nova sina, conforme o passar das horas arrebentava a morosidade de um dia inteiro agora bem distante do lar. Período delicado, mas viver é sofrer e a velocidade da modernidade não espera e dá refresco ao pensar para que o bom senso predomine. Ações, tomei. Transformações, criei... Bastou uma ação errada e o carro sem freio que se chama impulso opera velozmente. Todavia, hoje em dia continuo infiltrado e trabalhando com o público adverso e tudo que escuto como Ouvidor segue comigo sem partilhar a outrem. Bom, é isso de momento e obrigado pelo convite e sintam-se a vontade para visitar meu blog". Segue o link:

terça-feira, 17 de março de 2015

ÉRAMOS, AGORA SOMOS E AMANHÃ, SERÁ

Eu sempre tive uma cisma em relação aos anos ímpares e isso aumenta cada vez mais conforme segue a andança nessa existência. São anos pesados. Negócios emperram, conflitos familiares surgem e ressurgem nas mais infames vertentes criadas pelo comportamento alheio e, o mais doído desse emaranhado de dissabores é a revelia da cria. Precoce em pensamento e abundante em desejos acha dominar o mundo. Até que chega o instante de ser brecada por andar na contramão. Bom, ontem diante da correria em busca de remédios, contas e papéis diversos devido ao meu acidente de bicicleta me deparei com um rapaz ofertando doces caseiros. Como eu não conseguia andar rapidamente o jovem foi seguindo e a velocidade da sua fala retratava uma vida de sofrimentos diversos, mesmo ele sendo um estrangeiro por eu não saber nada dessa trajetória. Todavia, o olhar determinado travou meus passos lentos. Deixei que falasse, falasse e falasse em abundância. Queria sentir o poder de convencimento para angariar algumas moedas minhas e comprar o doce. Porém, não foi necessário. E, como já me habituei ao dinheiro plástico, apenas algumas moedas vascolejavam no bolso da calça preta. Juntei e entreguei, dizendo: não quero o doce, mas quero saber o porquê andas por aqui. Olha , senhor – disse em tom potente e irradiado de energia positiva – estou livre! Por muito tempo andei na contramão e ofendi minha mãe, pois pai nunca tive. Usei diversos tipos de drogas, se é que o senhor conhece isso e se não conhece nunca queira conhecer. Nesse instante meus olhos denunciavam as lágrimas de tempos que procuro enterrar, mas é uma tentativa dura e difícil por conviver de perto com o temido vício, no entanto, como espectador. Nunca queira mesmo conhecer essa maldição, senhor. Hoje tenho nojo. Muito nojo! Após isso, pedi que o rapaz esticasse a mão e antes de entregar as moedas apertei sua mão. 

Na minha mente estava claro que ele lutava e luta dia após para não recair e segui meu caminho e o ser inquietante que há no meu interior ativou o meu cerne inventivo. Por que é tão difícil? O que há de tão saboroso nessas substâncias vedadas, porém, comercializadas a céu aberto em cada esquina? Questionamentos e mais questionamentos surgiam e por fim, a certeza era única: o primeiro passo para livrar-se é força de vontade. Como buscar essa força diante da fraqueza do espírito e o domínio da alma pelo vício? Dura pergunta que retratei num texto que há em meu livro ainda não publicado e cujo texto nomeei Síndrome do Copo. O protagonista dessa história não teve tempo de buscar a tal força de vontade. Nem mesmo o ambiente que ele criou lhe deu oportunidade. Sim! Nós criamos o nosso ambiente. E, depois de estar inserido em ambiente malogrado, força de vontade iguala-se a chuva desejada no sertão agreste. Tarda, tarda e falha em chegar. Após o frenesi um último pensamento visitou a mente e trouxe terror, angústia e desalento. As mensagens que se distribuíam em minha mente retratavam e replicavam sobre o certo e o errado. O momento de fazer e não fazer. E, talvez o indicativo mais raivoso que tento abstrair durante a aquisição do bem material e não deixar vagar por muito tempo no dia a dia: a brevidade da...


Cada qual segue pelo caminho escolhido e cria seu ambiente. A partir desse instante está impetrada a sua vontade seja certa ou errada. Dali por diante, somente o coletivo terá forças para julgar, condenar e expurgar o ímpar errante. (JRA o poeta da verdade).

domingo, 8 de março de 2015

Aprender é necessário...

Cada queda sofrida, nessa existência, uma certeza é clara: será necessário recomeçar e o primeiro passo é admitir o “erro(s)”.

O dia de hoje não estava promissor para iniciar as pedaladas dominicais e solitárias como já é de praxe. Todavia, o entusiasmo que colaborou e impulsionou o momento se chama amizade. A muito custo formou-se o pelotão de ciclistas e cada qual abdicou do seu tempo valioso e seguir o chamado. Local combinado, horário igualmente e no ponto de partida a energia imposta para superar o objetivo, irradiava alento ao espírito dos seres ali empenhados a chegar e superar os rumores interiores que, colaboram e incentivam a chama do desânimo. Afinal de contas, o trecho de 20 km de ida era repleto de nuances e o relevo pouco favorecia. Outro drama era inserir na mente que o motor que impulsiona a máquina é cada um e os demais grupos apostos para iniciar suas pedaladas, deixavam a mostra magrelas incrementadas e equipadas com artigos de última geração. Nesse instante a mente gira em contratempo e o olhar capta apenas beleza exterior e inferniza a mente para acender a tal chama do desalento. Passado o instante começa a pedalada. Todo o cuidado é repassado para ficar alerta porque estávamos em uma rodovia de fluxo intenso de veículos, independente de ser domingo. Cumes, retas infinitas e acostamento sujo eram superados um a um. Da mesma forma o suor percorria a face e cada gota que caí no solo moderno, a marca deixada demarcava que ali eu passei e superei. O vento forte também era outro fator pouco favorável, mas a diminuta chuva refrescava o corpo, então, chegamos. O alívio estava estampado em cada face e as fotos do feito são a prova mais saborosa para indicar lembrança as novas gerações. Após falei aos camaradas que a volta seria fácil e iriam se espantar com o desempenho, mesmo cansados. Dito e feito e a energia positiva operava velozmente esmagando o cansaço. Todavia, a autoconfiança operou danosamente em mim quando um pelotão passou por nós e arrogantemente pediu passagem. Olhei para cada camarada, e olhei mais ainda para a pista limpa e gritei: ”VAMOS”! O comando injetou fantasticamente substâncias secretas e muito bem escondidas em cada um e ao perceber que já estávamos a mais de 45km/por hora  no início da subida mais ainda avistávamos o pelotão arrogante. Nesse instante esqueci-me de tudo. Cegamente eu corria ao encontro do nada e no toque raivoso no trocador de marchas comecei a pedalar de pé e percebia que os camaradas vinham na mesma cadência. Todavia, bastaram míseros segundos para se esborrachar no asfalto. A queda fora estabelecida. O equipamento precioso deixei em casa e a eternidade daqueles felizes segundos. Sim! Feliz segundos porque o caminhão que iniciava a descida estava bem distante poderia findar todo o meu empenho até então conquistado. Raciocínio algum opera nesse momento e a única palavra que veio na mente foi: Me, fudi! Exato, foi um baita tombaço. Imediatamente os camaradas me rodearam e outros ciclistas pararam e foram solidários.  É nesses momentos que descobrimos o interior de cada ser. Tempos depois eu tinha a sã consciência da merda feita e os camaradas afastando isso da minha mente. Levantei-me e a dor era intensa. Sabia que precisava radiografar e verificar com mais cuidado a queda, mas continuar em frente era necessário e no término da pedalada de volta nos dirigimos ao pronto-socorro mais próximo de bicicleta. Para mim pouco importava a dor intensa, a minha Babilina ( é o nome da minha bicicleta) danificada. O que me impulsionava era os camaradas. Nunca pedalei tão feliz como o dia de hoje e apesar de uma luxação e afastamento de ombro, somado a fratura em um dos arcos costais, a tal costela que a turma fala, eu amadureci um pouco mais pra dizer: errei! E até coloquei em risco meus amigos, por isso sou penalizado com a dor do corpo e saiu barato demais, a conta. Valeu grande Alex parceirão sempre e Fagner meu camarada gente boa, vamos pra cima deles logo, logo...

“Segundos determinam o tempo de cada um nessa existência entre o paralelo que há em viver e morrer. Hoje eu vivi! E o pelotão de ciclismo obedece sempre o chamado. Portanto, certifique-se da segurança antes de iniciar uma investida.”


Obs. – créditos da postagem a esposa porque digitar sem chance por enquanto rsrs.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

PAZ DO MEU CORAÇÃO NEGREIRO











Coração negreiro
Bate forte no peito.

Hoje, urrando anos devorados em sofrimento
Declamo versos enlaçados em desejo
A ti! Preto Cosme ilustre guerreiro...


Nem bentevis, nem cabanos!
É a balaiada a firmar a libertação
Através do passo sofrido da pacificação.

Hoje a fleuma é recompensada
Em lembrar que a ti e por ti
Meu sangue é brioso

Por ser banhado por lutas de emoção
A cada quilombo espalhado
Por diversas terras e veredas
Dos engenhos açucareiros
Ficando no esquecimento
A dor praticada pelo feitor algoz.


Mas, nunca deixando a voz s
ilenciar!

E, lembrar que a paz de hoje 
É orgulho e respeito
A cantar e cantar

Brasil adentro...

JRA (o poeta da verdade).

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

TUTA-E-MEIA

Tempos atrás, ou melhor, dias atrás gozava de minhas férias da melhor maneira possível que podia para despreocupar a cachola dos afazeres no trabalho. Por outro lado, entretido com as pendências, consertos e ajustes na moradia, pouco a pouco percebia a insignificância operar quando a atenção não é projetada. Bom, esse zelo era concentrado para algo material e de repente o pensamento resgatou algo distante, porém, muito importante: meus dezessete anos de serviço se aproximavam e hoje são completados. O valor desse momento equivale a uma vida de aprendizagem em ambiente hostil que detalhei alguns trechos em um texto que está em meu blogTodavia, fragilidade é a palavra mais próxima da realidade do meu entendimento hoje em dia e, o ambiente da dor (pronto-socorro) que aprendi a respeitar dia após dia, atualmente distanciou-me dos capítulos vividos por atores de diversos tons penosos entrelaçados por angustia e pressa. Dessa maneira o novo desafio impetrado em meu ser trazia a dificuldade em praticar o ato de, ouvir. Sim! Ouvir. Pelo menos tentar escutar e ativar a empatia a outrem. Jamais poderia, eu, ingressar previsões a cerca dessa possibilidade, mas a cada decisão tomada, um movimento surpreendente atiça e ativa o universo. Assim, nasceu o sujeito sem fala, sem opinião e pronto para escutar. Dura prática. Dura labuta. Contudo, muito pertinente e distante do trabalho, sinto que deve ser aplicado o legado herdado para obter equilíbrio. No entanto, essa tarefa é mais trabalhosa quando o assunto é nosso lar. Diminuto e anódino fico, pois somando mais alguns dias a este, nova data extraordinária traz a lembrança do nascimento de meu filho Roberto. Ah, que momento magnífico fora o aconchego do colo paterno, as pedaladas de ida e volta com a cadeirinha que comprei para meu companheiro predileto. Nunca imaginei, ou, propaguei falas a mente para afirmar que aquele tempo passaria rápido demais e agora o vejo (meu filho) quase homem. Aceitar a duras penas que as decisões dele somente pertencem a ele e igualmente machucam sua mente e coração é a sina de cada pai e mãe que, procuram inventar maneiras de enganar-se que estão no controle de tudo. Talvez, o crescimento para cada ser nessa existência esteja atrelado e conectado a decisão sobre o que é certo e errado conforme o ponto de vista de cada um! Porque o oposto disso será a vontade da maioria. Mas, viver é estar presente em todos. E, por mais complicado e complexo que seja visualizar e imaginar as possibilidades de uma decisão danosa sei que o momento de crescer chegou e a bagatela dos inúmeros dias nessa existência indicou uma coisa...  

JRA(o poeta da verdade).

terça-feira, 8 de abril de 2014

REFREANDO


O contexto hospitalar, quase que na sua totalidade, momentos conflitivos são percebidos diariamente. E, tentar suprir as dúvidas de pacientes e familiares com clareza e esmero, mais as exaustivas buscas pelos métodos mais apropriados para sanar as enfermidades, coloca o profissional da saúde em evidência, sempre. Esses momentos se espalham vertiginosamente em diversas localidades do país e, muitas vezes o alento necessário direcionado pela palavra “obrigado”, não chega até os atores envolvidos. Contudo, esses profissionais carregam no seu íntimo que, somente com amor a profissão e dedicação é possível seguir adiante. Por outro lado e bem atual, agentes externos interferem em alguns processos e, a escassez de recursos à saúde colabora com índices elevadíssimos de insatisfação do usuário SUS ou o cliente da saúde suplementar. 

Bom, diante dessa precoce abordagem é relevante salientar que o questionamento somente impera quando há procura. Nesse momento nos deparamos com a realidade do atendimento. Atualmente Curitiba e Grande Curitiba dispõem de três hospitais que acolhem vítimas de acidentes e alguns quase fechando as portas. O entendimento e a percepção clara da elevação dos indicadores de aumento populacional colaboram e pedem a construção de mais hospitais. Contudo, a realidade é bem outra. Então, surge a velha pergunta: Onde ocorreu o deslize de gestão? Bom, desde a expansão do atendimento a todos nas instituições conveniadas ao SUS e também mantidas pelo governo, nota-se apenas o crescimento populacional e a parte física, estrutural e de recursos humanos, segue em crescente falência. Perante o desafio de reverter essa condição, ainda patina-se em buscar os responsáveis pelo ato. E, mesmo encontrando o agente nesse emaranhado sistema, a condição de incapacidade irá persistir. Portanto, é importante cada indivíduo começar a criar uma visão sobre o futuro e reeducar as gerações que chegam, sobre a herança que terão. E o legado não é em longo prazo, já é a bem curto prazo! Por outro lado, esse agente interno inserido no atendimento ao usuário e cliente externo, dia após dia se subdivide em busca de locupletar, mesmo que por ínfima quantia que consiga somar a cada mês, e, alcançar alguns desejos pessoais. Todavia, as forças internas esgotam-se rapidamente. Por isso a meta a ser alcançada para colaborar com a mudança desejada, é rever e dar subsídio a esses desejos ilimitados e atenuar o ritmo...

JRA (o poeta da verdade).

segunda-feira, 7 de abril de 2014

SEM, SEGUIR

Os indicativos da tristeza são as lágrimas. Será? Nem sempre. Hoje seria um dia favorável para efetivar esse indicativo. Estou triste, sinto isso, mas as lágrimas não me acompanham. Talvez estejam presas em algum lugar dentro do meu íntimo, do coração! Mas, não. Obnubilar a mente já tentei e, com essa investida, conseguir frear o(s) pensamento(s). Porém, a caminhada é sem breque. Não há como travar o ontem, esse hoje que discorre pelos teus olhos e o vindouro perene ou célere.  Até mesmo a força desse querer não me pertence e parte do meu eu, parte. Os inúmeros dizeres iludem o lugar comum do dito que prega a distância de poder olhar o que se passa a outrem e assim abrandar a saudade no peito. É simples aplicar o discurso, todavia, hoje sou o agente que sofre a ação e nem sei o que fazer para mudar. Uma decisão para direita, o preço da escolha. Outra decisão para esquerda, prejuízo igualmente. Parado, fico então. Mas a ideia não deixa. Linha por linha, os acréscimos da minha fala, se transformam num texto sem fim. No entanto, seria tão bom um voto de boa vontade. Uma sutil mudança que fosse, no comportamento de quem eu acredito que um dia mude. Contudo, essa esperança tardia nunca chega e meu desgosto, se alastra.
Dias atrás me deparei na janela debruçado e observando a garoa matutina. Em abundância seguiam por toda manhã. Aquele dia era profuso para chorar, pois o clima permitia acompanhar a imagem agourenta deflagrar lágrima seguida de lágrima, mas o meu ser não seguia na mesma sintonia. Hoje a noite reina juntamente com minha ansiedade e nada de prantos para aliviar o que irá pra longe de mim. Tento segurá-lo, dizer que fique!Todavia, o meu discurso não é potente. Pedi ao clima que a garoa prevaleça. E, o retorno que obtive, foi um silêncio perverso e extenso liberando mais suspeitas sobre o que fazer. Opa! Chega à primeira lágrima. Cai no teclado e perto da letra “R” ficou até secar. Baita esforço para dar continuidade e locupletar soberbamente a busca pela fortuna das vogais e consoantes que irão formar esse nome por quem sinto tanto.

Meu, Deus! Sei eu o teu significado singular em minha vida e a fé que tenho a meu modo. Quem sabe outro dia a transformação ocorra e a paz que tanto peço se aproxime um pouco mais e mantenha-se firme! Feito manhã de garoa mostrando que ele voltou e irá ficar pra sempre... 


JRA(o poeta da verdade).

segunda-feira, 17 de março de 2014

QUADRADO

O ouvido alheio é sempre bem-vindo. Foi assim, hoje! Então, durante as manias do meu pensar, investi euforicamente um momento. Dessa maneira a balzaquiana que considero tanto, escutava o delírio sobre os quadrados. Na verdade o que eu pretendia dizer é que os tais quadrados eram, ou melhor, são caixas feito baús. Todavia, o tamanho não é desmedido de um para outrem, pois o peso depositado ali das confidências duradouras jamais devem ser liberadas e até mesmo, emancipadas. Caso contrário, todo o empenho será em vão. Seria esse o desejar mais sincero? Talvez... contudo, nossas vontades nunca perpetuam e na diminuta veleidade desse gosto, o tempo torna-se implacável para demonstrar o preço da decisão. Bom, pra deixar mais clara à passagem dos pensamentos filosóficos, cada qual expôs sua vivência e a cada fruto concebido dessa caminhada, os ensinamentos explodiram em atenção e cautela. O tempo parou. O tempo sempre para. Porém, penso eu que o ato de ouvir nem sempre pode ser alcançado a tempo e, resolvi escrever. Por sorte, ou na obliquidade desse acaso, a intensidade desse dia equivale ao segundo dia da lua em sua fase de cheia taça e as energias se movimentam. Senti que muitas ventanias ainda estariam por vir. E, certo sopro proposital disse: Viver é assim e o mundo tudo ensina. Nessas quase quarenta e três primaveras vividas, ainda me questiono onde fica esse tal mundo ladino. Talvez se localize mais próximo da alameda gelada que busquei, após uma zanga e perda do teto acolhedor e caloroso. Ou, no pão duro e bolorado ofertado por outrem para diminuir um pouco a fome. Ui, que ensinamento carregado. Por isso que o ato de aprender é tão difícil. Mas, volto novamente às caixas. Parece-me que agora elas são construídas diariamente e acumulam-se velozmente lado a lado, uma em cima da outra, canto a canto. Até cogitei abrir uma pra ver no que dá. O infortúnio dessa abertura delineou, revolta. Puta azar, meu! Deveria etiquetar a dita cuja. E há tempo hábil pra lembrar-se desse detalhe? Não. Feito o ato, percebi que era hora de deter a produtividade de tal artefato. Todavia, concentrar forças e abrir todas de uma vez seria imprudência, pois a boa vontade acendeu! Mas, a coragem, ainda não. 

JRA ( o poeta da verdade).

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

SEM, PENTUA

O silêncio da noite é extraordinário. Quando ocorre a oportunidade de contemplar esse momento, todas as vozes interiores são ativadas. Isso ocorreu ontem. A cada quilômetro superado e conectado na magrela, o ambiente evidenciava mais e mais o seu domínio. E minha mente, maquinando. Na verdade, não arquitetava ou bolava nada. Apenas meus olhos observavam e compenetrados admiravam o céu e seu breu predominante, mais a lua no término da fase crescente. Jamais deixo de mencionar a lua. Observo-a com entusiasmo e respeito e as estrelas que sumiam e apareciam, igualavam-se aos olhos protetores daqueles que te querem bem. Dessa maneira segui o longo trecho até a residência. Nos dias atuais, torno-me felizardo em demasia, pois a violência impetrada em cada esquina, não possibilita um percurso desses, em sua plenitude, sem que ocorra ação de outrem. Até mesmo o trânsito profuso do dia a dia, dá certa trégua. Todavia, o perigo aumenta. Notei veículos seguindo na contramão. Sinaleiros, ou se preferirem, semáforos, serem superados sem prudência e seriedade, perante a cor vermelha. Os atores dessa época são escassos, mas a imagem noturna da urbe é singular. Torno-me nômade por completo e feito lobo andarilho, sei que a caça é escassa e o bel-prazer da toca, a meta. Camuflado pelo preto dominante da vestimenta, eu era o estrangeiro dessa terra. Mas, o sopro da mente reativou lembranças. 

Então, o tormento dessa divisão, formou dois indivíduos, diante dos inúmeros possíveis. O novo reinante controverso desse instante imagético aplicava inexoravelmente sua vontade. Lembranças demudaram o ambiente. Abraços, agradecimentos e faces alegres, surgiam em abundância. Por quê? A outra parte tentou replicar e pouca chance obteve, pois o novo momento não lhe pertencia. E, a energia estabelecida esmagou-o. O sociável se fazia presente. Sentir, tocar e admirar, era o conjunto das ações adquiridas. O silêncio da noite desapareceu. Não há silêncio quando há semelhante. O contexto retornou no tempo. Tempo esse de celebrar e mesmo diante dos entraves persistentes, o que realmente importava era a presença de outrem. Semelhança em demasia alastrava-se pelo espaço hospitaleiro no bar em que eu estava. O incômodo de saber as horas fora sepultado. O que importava apenas chamava-se, liberdade. Perceber o pouco espaço do recinto, a cada empurrão, deixava mais clara ainda essa liberdade de não temer o próximo. Os meios midiáticos alastram dia a dia essa possibilidade de intimidar-se. Mas, ali não. Conseguir captar essa energia é desafio crescente e de repente uma voz confusa, entrou em cena: Moço, estou longe do Largo da Ordem? Cognome abundante na mente dessa gente de sorriso pendente, pois o certo é dizer Largo Coronel Enéas. 

Nesse instante, acordei do delírio prazeroso e atordoado parei a magrela e respondi: Não, está bem próxima. Pode me acompanhar, até lá? Ela complementou: Assim me sentirei mais segura. Apossado novamente pelo silêncio da noite, a voz da moça desorientada não trouxe firmeza. Feito raio em céu pedrento, respondi rapidamente, não e dali sai em disparada, conectado na magrela.  É estranho como opera o instinto nessas situações e de repente avistava o portão de casa. Desconectei da magrela. Abri a porta de casa e estranhamente o sociável soprou seu frenesi, novamente, em bizarro discurso:

“Ímpar poderia ser o desfecho daquele episódio insólito! Pois, a andança em terras estrangeiras, sempre desagrada os desavisados...”.

JRA (o poeta da verdade).

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

FRONDE

Fenece o dia,

brota à noite.

A sobeja madrugada,

também aponta a sua brevidade.

Então,

nasce outra vez o dia.

Ciclo cobiçado desde tempos imemoriais.

Contudo,

efêmero segue o tênue indivíduo!

acolhido apenas pelo seu infinito pensar e,

cônscio que sua noite chegará e perpetuará.



JRA (o poeta da verdade).


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A insignificância do ser

O abacateiro esse ano provavelmente não mostrará seus formosos frutos e um dos agentes causadores, desse processo, é o frio. Propagou-se intenso e perene por longa data e mudou a roupagem do arvoredo que reside no fundo do meu quintal. Tamanha dó o olhar contemplou e pouco a pouco a lágrima percorria o semblante inconformado. Porém, dia após dia, demais influentes colaboravam para a recuperação e a esperança seguia forte e intensa, encorpando o amigo persistente. Contudo, as intempéries sempre são mudáveis. Hoje bate o sol juvenil, amanhã o vento menino canta feliz e quando menos se espera a fúria alterna as facetas gentis da temporada e opera inexorável e insensível aos apelos dos desprovidos! Tornando-se agora, alijados. É certo que o  fato atualmente está mais rotineiro e, a cada canto do país intitulado emergente, insurge mais e mais abalos nas estruturas esquecidas, desprovidas e carentes de vigilância. Vigilância que deveria estar ativa na lembrança daqueles que detém o voto concedido provisoriamente, contudo, por longa data. Bom, de toda forma é mais aceitável observar imagens impostas nos meios midiáticos, pois entre uma imagem e outra, logo a notícia retoma novo assunto e curso, e o ser comovido apenas tem a certeza que a penúria ocorreu em outras bandas bem distanciadas dos seus arredores. Mas, o tempo realmente é implacável e mesmo sendo solidário a dor de outrem, o fato torna-se vivo somente perante a realidade. Assim ocorreu ontem. Aguaça pra mais de mês e vento pra suprir diversas passarolas, operou na terra de muito pinhão. Foram poucos minutos de tempestade, mas uma eternidade para inúmeras pessoas. Então , o celular emite o som da chamada recebida e dependendo de onde vem, desagrada em demasia. Atendi e escutei o apelo da genitora desesperada. Velozmente detalhava o drama e as consequências da zanga passageira do vento, da chuva e do granizo intenso e o pormenor mais temido: o medo. Minha cria agarrada nas vestes da minha genitora, assombrada gritava e pedia por socorro. Desliguei o celular e sai imediatamente da labuta. Nada importava, ou melhor, o que importava era chegar rapidamente em casa. Nestes instantes vemos claramente operar o inesperado de momento, pois a magrela que me conduz todos os dias até o trabalho foi primordial para o momento, pois a matutina pronunciou chuva leve e a condução seria outra até o trabalho . Cruzei avenidas e vi árvores caídas, cruzei sinaleiros e vi postes de energia elétrica oblíquos e os fios desunidos propagando a energia pelo chão, pelas calçadas, pela grama. Eu avistava as mais diversas situações de confusão pós-tormenta, porém, a minha mente caminhava e avistava apenas o portão de entrada da residência, feito delírio de vagante no deserto.  Até mesmo as buzinas gritantes e a desordem no trânsito, eu superava imprudente. A meta era o lar. Sim! O lar... Detalhar o curso na sua totalidade seria o mesmo que construir uma obra literária farta em páginas e desfocar do princípio. Assim, cheguei. O olhar citado acima quando contemplou o drama do abacateiro, agora fitava a casa parcialmente destelhada. Ali notei o tamanho da insignificância do ser nesta existência. Sobejas palavras escafederam-se e passo a passo o desânimo se apossava no meu interior. Contudo, as vozes no interior da casa afetada deram novo alento ao meu ser e o olhar de alegria era mútuo em todos os semblantes. A cria no seu precoce entendimento da realidade dialogava alegria, espanto e temor. Já a genitora, mesmo sabedora do atual e, do que por ventura seria possível para piorar os fatos, agradecia a Deus estar viva. Da mesma maneira, retribui. Então, o momento era construir. De que forma? Os recursos escassos batiam a porta e pouco antes de fechar a loja de material para construção, comprei certa metragem de lona preta pra quebrar um galho. Retornei ao lar. Nestes momentos os temores floram em abundância e do telhado acabado a retomada da visão detalhava os arredores. A nostalgia sussurrou em meu ouvido o dito popular: Céu pedrento, chuva ou vento? Pouco importava. A meta a ser alcançada era cobrir o telhado danificado.  Os passantes miravam o meu comportamento e cabisbaixos seguiam esperançosos em encontrar a morada intata. Eu também torcia por isso e após esticar a lona preta, martelei os pregos com vigor na madeira, pois aquela seria a cobertura mesmo provisória para acudir a situação. Desci e deitei a escada ao lado da casa de minha mãe e respirei aliviado. Aliviado? Por quê ou de quê? Nova tempestade atuava em minha mente. Necessitava ir observar o abacateiro igualmente pra sentir mais intensamente a tormenta e olhei, avistei e entre “e” e mais “es” as belas folhas verdes foram devoradas pelo granizo intenso. Sentei ao lado do abacateiro, posicionando minha cabeça em seu tronco. Vozes silenciosas para muitos eram altas e claras para mim. Ele também agradecia a Deus por estar de pé e abrandou meu agito dizendo: Seja forte. O meu fruto e o teu fruto ainda passará por inúmeras intempéries e provações até conseguir alimentar, agradar e abalizar a próxima geração.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A OBRA DE UM PEDREIRO

Hoje a lembrança vibrante se faz presente perante a leitura do conto abaixo publicado em antologia. Meu finado avô era o artista das obras edificadas com suor e orgulho... Deus guie sempre tua luz, saudoso avô, pois o dia de teu aniversário (hoje) lembro intensamente... segue lá:

O ano, 1950! Representando uma época mui relevante em relação a certas ocasiões para obter respeito, pois o contexto abaixo retrata a obra de um pedreiro zeloso com seu lar onde cultivou a autoridade acima de tudo. Contudo, procuro não detalhar em demasia os ambientes com descrições cansativas, entendendo que deve ser frisado apenas o comportamento tranqüilo para obter o bom tratado no ambiente familiar. Mas, nos dias atuais é algo escasso e privilégio de poucos. Deste modo, entre na leitura e observe que o pedreiro da época em questão ganhou notoriedade pela forma com que erguia cada obra! Sempre se preocupando com a base, a fundação, e ao sentir que deveria partir na busca de outros ares, com o intento de manter o ganha-pão em dia, decidiu de maneira esplendorosa levando consigo o que há de mais importante na vida de um homem “sua família”. Certamente a mudança na época era uma necessidade iminente, devido às condições de transporte.

Todavia, notar a agilidade que ocorre nos dias de “hoje” para se locomover com uma única passagem – por diversos lugares – de maneira alguma era desfrutado, e erguer a obra em questão, o seminário da região metropolitana de Araucária, somente poderia ser feito estando presente para conseguir acompanhar o ritmo da responsabilidade apenas firmada em palavra. E, até onde sei, não existe mais o tal seminário. Deste modo caro leitor (a), acompanhe este breve relato acima e ao entrar no texto abaixo, seja bem vindo (a) a reviver um passado distante.  De tijolo a tijolo se erguia com muita força e dedicação toda uma obra. E, no final do acontecido era majestoso o observar da conclusão demorada, por saber que todo um esforço era deixado, tanto na parte física com as mãos calejadas, como no suor do rosto, que marcava as lágrimas do orgulho no semblante. Destarte, Rico – como era conhecido por muitos – seguia sua caminhada como pedreiro de profissão que hoje não há mais. Contos e mais contos lembravam, seja por onde ele passasse o erguido do orgulho, e assim ficava registrado como história. Um a um vinham à procura do humilde profissional, por ter no preço do seu trabalho, o mais valioso de todos os tesouros “respeito”. Todos que adentravam em seu lar a procura do homem forte em caráter, mas fraco por silenciar suas palavras, tinham a certeza do acabamento inteiro do compromisso apenas firmado em palavra, e sempre assim um serviço atrás do outro, faziam mover a roda de uma vida prazerosa no batente. Seu descansar no lar – também erguido de suas mãos – adentrava com muito encanto para fazer o equilíbrio do seu ser. E, nas chegadas preciosas da manhã que mostra o primeiro passo importante na vida de um homem! Nunca deixara para trás o preparo do café para fortalecer-se com o aroma do primeiro gole, impulsionando firmemente seu coração gigantesco, e então se despedir da amada esposa, até a nova chegada do fim de tarde para retornar para casa e recuperar todas as forças, novamente.  Mais uma obra estava prestes a iniciar-se, e a demora seria um desafio pelo peso do tamanho, tanto em compromisso, como em conclusão. Existia também a distância do ponto de partida que era seu lar, e a chegada até a obra em questão, e algo deixou uma espécie de tristeza prevalecer o silêncio e a demora em sair à fala até a outra parte, que sentia o esposo muito cansado e chegando mais tarde do que o programado.

Mas, com o tempero certo incrementando a fala harmoniosa e sutil para o momento, esta mulher determinada aos poucos tirou a palavra angustiada do peito do pedreiro, como se fosse a colher utilizada para jogar a massa na parede bruta, e desta maneira escutou toda a dificuldade, o desafio e a necessidade para entender o motivo das mudanças. Então, provisoriamente se mudaram do nobre lar para firmar o compromisso em palavra que era lei para o forte pedreiro, e tentar prosperar de maneira simples e humilde, mesmo distantes, nas novas terras desconhecidas. Porém, tamanha força benevolente fluía dessa parceria. Em poucos dias todo o encanto do lugar inóspito ficou enormemente marcado, pela bela lição de dar atenção ao próximo que bate a porta. E, juntamente com a obra magnífica do orgulho de fazer bem feito erguendo-se, também uma espécie de lembrança silenciosa sopraria forte quando chegasse o momento certo de partir. Passo a passo, dificuldades e problemas começaram a sair copiosamente nas palavras que, agora eram partilhadas com a outra parte necessária, demonstrando firme vitória sobre o sacrifício em deixar o nobre lar temporariamente. Cada tijolo levantado resplandecia mais e mais a alegria, e desta maneira o forte pedreiro via com muita calma, a conclusão do compromisso firmado no respeito, erguer-se. Entretanto, uma nova etapa seria áspera e dura para traçar, pois o tijolo colocado fortemente na base da terra desconhecida determinou o bom trato com o próximo, que entre em seu lar, originando laços potentes de afeição. Todavia, mais uma obra do pedreiro, findou-se... Naquele final de tarde chegara cansado como sempre, mas muito satisfeito, e seu guri o esperava alegre e ansioso para sentar-se no colo empoeirado do uniforme do esforço. Que fleuma retratava o instante no cuidado com o filho, feito semente bruta de uma geração! E, o bem deste momento não tinha valor palpável, pois era formado pelo sentir poderoso que nada cobra da cria manifestada, no desejo findado durante o amor absoluto. Passado o momento de atenção, o pequeno homem que surgia aos poucos, deu espaço para a mulher determinada então escutar a fala, que agora não ficava mais retida no peito: – Tenho boas notícias!– A obra está terminada e nossa volta para o lar se faz necessária. – Portanto, vamos arrumar nossas coisas para caminhar o retorno esperado. Uma mudança se estabeleceu imediatamente na mulher, que sentia o drama do silêncio das palavras conflitarem com sua conquista de amizades por onde estava no momento, e o companheiro fiel notava isto ao observar o semblante triste duma mulher, que nunca ocultou suas palavras.  E, esta por sua vez, falou:– Sabia que este momento chegaria!– Sabia também que a partida não seria fácil. – E, sabia mais ainda, que uma obra ficaria inacabada, a dor da saudade em meu peito, perante o tijolo assentado na base conquistada com carinho. Que correria se formou por causa da mudança do lar provisório para o regresso ao lar afetivo.

Aos gritos os pedidos se multiplicavam para cessar a loucura da mudança no entender de muitos, e a dura verdade para o propósito de uma obra acabada. Desta maneira se concluiu o material acabado, e o sentimento esquecido, por nunca ter fim na conclusão que se espera para confortar apenas o imediato. Saudades a todo o momento se carregavam, e no começo de uma nova manhã de verão, alguém veio em busca do pedreiro. Aquele momento era de escassez de obras, e o sustento do pilar forte da casa precisava de trabalho para tanto. Mas, o inusitado pegou de surpresa o homem de palavra, quando escutou que teria que acabar uma obra inacabada. O não imediato reinou naquele momento, e a outra parte diante disto ficou muito chateada e logo estava a sair. A esposa ao escutar o assunto, logo veio interferir no orgulho por saber da necessidade. Mas, poderia ser certo aceitar erguer uma obra inacabada, de outro homem sem palavra? Aquilo era um tormento para Rico ao lembrar-se de cada trecho da profissão que amava de coração, seja por onde passasse e notasse as inúmeras construções erguidas com sacrifício e qualidade. Porém, o apelo da mulher resgatou da memória a dor da lembrança. – Na ida provisória para acompanhá-lo deixei nosso lar. – Na terra desconhecida construí nossa importância. – Por lá deixei uma obra inacabada, a dor em meu peito, por abrir mão de algo que se desmorona, quando se abandona da maneira que foi feita. – Quero que repense e abra mão do teu orgulho por saber do nosso momento de necessidade. Pensante estava o forte profissional diante da palavra e o orgulho, e mais insistente ainda vinha á tona a necessidade. Então de imediato correu atrás daquele homem, e aceitou o serviço. Na nova manhã tudo indicara que a retomada se fazia no mesmo ritmo, a embalar com orgulho o ofício de coração. No entanto, um forte engano surgiu quando avistou a desmoronar tijolo por tijolo se encontrava uma obra em decadência de palavra e qualidade.

O desânimo dominou! E, a desistência quase veio a reinar se não fosse à visão que teve de um menino a correr pra lá e pra cá perto da obra. – Pai, este é o pedreiro que irá terminar nossa casa? A pergunta da inocência deu forças ao nobre pedreiro, para erguer os pilares do orgulho de uma profissão de poucos, e assim retomou e ergueu com tristeza e alegria, cada tijolo que caíra. No término algo mudou profundamente no espírito de luta daquele forte homem. O silêncio perverso retornou com muita força, e determinou toda a queda de uma trajetória que sua companheira conquistara. Dia a dia apenas seguia, e o pedreiro recordava que, nem toda a obra deve ficar inacabada, se for erguida com sentimento.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

TALVEZ ENTRE, TALVEZ SAIA...




De que vale os versos de um poema,
se o coração não graceja
e a visão do espírito não resplandece.
Sempiterno ei de ser o poeta e seu esconderijo conhecido por inspiração.
Lá,
o tilintar da lamentação há de olvidar e refugiar a dor,
momentaneamente.
Por que,
o retumbante uníssono clamor do despertar,
abre a caixa secreta e,
a leitura trará dissabores ou inércia ao duro,
coração?
Talvez entre,
Talvez saia...

JRA (o poeta da verdade).

sexta-feira, 15 de março de 2013

ENTRE A CRIATURA E A DESCOBERTA



Você cria o monstro.
Ele devora você.
Tempos depois o efeito flatulento dispara fragrâncias de repulsa.
Você cria o monstro.
Ele devora você.
Tempos depois o efeito eructante despeja ar fétido de rancor.
Você cria o monstro.
Ele devora você.
Tempos depois o ser modesto descobre a cura!
Tarde , demais...

JRA (o poeta da verdade).


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