quarta-feira, 3 de junho de 2015

44 DEGRAUS

Muitos fragmentos espalharam-se no tempo. Verso, prosa, pensamentos e lamentos, unem-se sempre ao chegar dessa data. E, o momento equivale à articulação duma escada viva de quarenta e dois degraus suscetível ao desce e sobe, constante. Nomeá-la é ato pensado a todo instante, pois o que chega à mente vibrante, agora, corresponde a lembranças e mais lembranças das mais variadas matizes. Amigos, família. Mais amigos, família. Pseudo-amigos, família.  Muita gente junta, outros nem tanto e, família. A doidice de toda essa enormidade de encontros e desencontros abrange certo deus-nos-acuda, uma vez que a paridade com outrem determina família igualmente, e, os trejeitos estranhos expandem-se nessas sucintas lembranças eternizadas em meu íntimo, hoje. Contudo, ao invés de alargar essa alameda interna, procuro taciturnamente encontrar uma única faceta que detalhe o meu “eu”, hoje! E, deixe de lado os diversos atores constituídos durante a subida e descida dos quarenta e dois degraus atemporais. Tento, então: quem sou , eu? O que sou, eu? Por onde anda o meu, eu? Perguntas e mais perguntas não cessam. Porém, a última questão é singular por demais. Estratifica, ou pelo menos tenta modelar forma ao indivíduo que, expressa palavras em busca de resposta inusitada e exclusiva para abrandar o espírito.

No entanto, noto repentinamente abrir a porta minguada do inesperado de momento, revelando o subsolo de minha mente. Lá, tudo está oco e vago. Nuvens gris e despidas de claridade para engenhar algum sentido, norteiam apenas a prosseguir em inércia. Mas, voltemos a tal escada. A passagem das primaveras que indicam o meu dia, sempre estão dessintonizadas, pois estamos à beira do inverno e a tal escada de quarenta e dois degraus, hoje se torna quarenta e duas primaveras já citadas em outro texto no blog da emoção. Contudo, prolonga-se minha ansiedade. Por onde anda o meu, eu? Certo dia , pessoa estimada confidenciou seu coração delineando sua escada. Em silêncio, permaneci. O lamento perdurou à noite. Ao fim do discurso apenas proferi escassas palavras: O que deseja? A outra parte fitou rapidamente meu semblante sério e saiu. Senti angústia. De maneira alguma se compara a angústia presente, hoje. Tentei caminhar no resto de noite que sobrara. Há tempos o ar noturno não era percebido e estrangeiro me senti. De lá pra cá me deparei com essa amaldiçoada escada. Tento estender os degraus. O material ofertado é escasso e pesado. Apelo para as lembranças, novamente. Aquilo que chega é tosco e febril e é o único material disponível de momento. Todavia, essa é minha escada. Constituí-la é necessário e no aguardo da vindoura, pondero:

“Por onde anda o meu, eu? Anda impregnado em cada instante conquistado através do voto de confiança de outrem que, se lembra do meu eu com alegria. Assim é a minha escada de 44 degraus, hoje.”


2 comentários:

  1. Escadas podem parecer difíceis de subir se não se sabe onde vão dar. Suba, poeta. Suba. E não tenha medo. Vais subir ainda mais 42 degraus!
    Parabéns pelo seu dia.

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  2. Parabéns, amigo e patrão. Hoje é seu dia. Isso é o que importa. Tenho certeza que você terá forças para subir mais que 50 degraus, daqui pra freente.Parabéns. Desejo-lhe muita paz, amor, saúde, prosperidade e muito sucesso. Felicidades. Eliene

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