quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

TOCÁVEL



A terra se foi. Na verdade quem foi é o gramado e todo um jardim histórico diante do manuseio dos tratores a fuçar e consolidar as mudanças. Ninguém ousava prever este momento. Até mesmo os diz-que-diz-que dos corredores apenas firmavam comentários triviais porque para o detentor da força da instituição o jardim era intocável. Mas quem pode afirmar que na terra do amanhã existe algo intocável? Ainda mais quando o assunto é “interesse”. O barulho começou cedo. Operários, técnicos, engenheiros e toda uma casta de entendidos fuçam sem parar para adequar o projeto. Ali – além do quero-quero companheiro de longa data – tem um pinheiro, um pé de butiá e outras arvores que se misturam ao gramado que hoje é provisório . Quem diria! Gramado provisório!Mas o quero-quero, o pinheiro e o pé de butiá não são provisórios! O que irá acontecer? Perguntar pra que! Irão sair dali! Afinal de contas, não estão inclusos no projeto! Algo que passou anos e mais anos zelado, tratado e não observado pela leva dos inúmeros clientes ou pior visitantes do ambiente da dor a procurar noticias do ente enfermo que lá se mantêm ativo e nunca provisório está se despedindo. Alguém ira sentir falta do gramado? Acredito que não. O novo é sempre bem vindo. É hospitaleiro ao olhar e muito agradável enquanto os defeitos não são descobertos. Mas que defeitos? O projeto não prevê defeitos! Pelo menos nada consta nos autos do processo que o projeto é feito para ser observado. Não tem um documento fiel para determinar esta causa. É uma causa tola - sem fundamentos - pois zelar, tratar e observar não é responsabilidade de um jardim e sim de um projeto. Ainda mais quando é observado que milhões circundaram seus limites num vai e vem vagaroso, penoso e desencorajador na busca de mudar uma condição “a dor”. Sim! O jardim tem que sair. É iminente a sua retirada para colaborar com o projeto, pois o hoje se faz presente e, portanto saiam com o jardim. Não! Quem disse não? Eu digo não! Quem é você não? Alguém. Como assim alguém! Porque se é alguém sem nome, sem cognome e sem influencia, então é nada! Nada não, eu sou o “não”. Ok então se faça presente! Sou o “não” a pedir. Sempre peço e quando acho que consegui, lá vem à resposta para aniquilar o meu momento. Mas então peça? Pedir pra que! Ou pra quem? Por favor, não! Peça! Ok vou pedir! Mude o projeto! Por quê? Faz-se necessário! Não posso! Por quê? Isto é responsabilidade do novo que irá surgir quando este se tornar provisório... Um delírio desastroso passou na minha mente. Esta confusão de necessidades, de desejos e suplicas para suprir a causa do ser, ou melhor, do intimo do ser. Penso muito quando sentado estou numa praça, e mais ainda no meu banco de praça. Penso como seria sem ao menos uma arvore, um pássaro perto. É ali o meu instante mágico a recordar, a mudar e muito mais descarregar. Os inúmeros que circundaram o jardim faziam isto “descarregavam”. A natureza sofre uma carga imensa. Somos eternos insatisfeitos e, portanto o pensar assola o nosso dia a dia para mudar . Amanhã é sempre a condição da transformação e se um dia isto não ocorrer... Os dias mudam rapidamente. É notado que o futuro deste século será ganhar com a saúde, ou seja, com a falta de saúde. Não será guerra por petróleo e sim por saúde. O gramado que dá espaço ao projeto de um estacionamento é a prova real disto. Alocado ficará o veiculo responsável pelo conforto e se alguém precisar descarregar a energia do ambiente não terá mais o jardim que daí sim será precioso, mas em compensação terá uma vaga garantida a esperar o provisório ente sair e dar espaço ao próximo que certamente nunca saberá que por ali houve um jardim ...

Um comentário:

  1. Então sugiro que tenha uma memória fotográfica para que suas lembranças do jardim nunca se apaguem!

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