CICLISMO DE RESISTÊNCIA FAZ HISTÓRIA NO BRM 600KM DE CURITIBA

Ciclismo de Resistência faz História no BRM 600 de Curitiba #ciclismoderesistencia
Há tantos predicados a serem exaltados nesse momento, que as palavras entram em estado de confusão. Enfim, a tríade arquitetada: organizadores/trajeto/segurança, enaltece com maestria e fortalece cada vez mais, a pratica da longa distância em nossas estradas, pois isso é tarefa árdua e difícil em demasia. Contudo, antes de construir um pouco dessa trajetória, a Equipe Ciclismo de Resistência, agradece de coração ao Presidente do Clube Audax CWB e entusiasta da longa distância, Cícero Britto. Igualmente, os demais organizadores: Lucio Lima, pessoa incrível e mais que um amigo, Burg Júnior pela determinação e referência no ciclismo de longa distância, Claudio Lopes Takayasu, pessoa extraordinária e grande amigo, também Fábio Escuissato, que imprimiu um ritmo alucinante, juntamente com outros guerreiros e irmãos de pedais, em busca de mais um título de Super Randonneurs. Vida longa Clube Audax CWB!
Bom, é notório que a ansiedade prevalece em excesso antes de cada desafio e, não seria diferente no BRM 600 CWB, porque a luta era gigante de toda a equipe, para conquistar o tão cobiçado título de “Super Randonneurs”. O primeiro obstáculo era o feriado de sete de setembro. Vale ressaltar que não somos atletas profissionais. Somos arraigados de diversos compromissos e, um deles, o principal, é nossa “família”. Abdicar de um feriado desse longe dos familiares é o primeiro giro intenso no pedivela chamado, coração. Ali, deixamos filhos, esposas, pais, mães, todos e mais todos que, seguem juntamente e muito próximos, cada metro superado. Além disso, havia preocupação extrema com o movimento nas rodovias. E, isso ficou claro antes mesmo de chegar ao pedágio da BR dois sete e sete. Mas, vamos recuar um pouco mais o movimento central. Seis horas da manhã no Parque Barigui, mais de 20 ciclistas largaram cientes de que 600 km deveriam ser superados. Há uma explicação para tamanho feito? O que se ganha com isso? Questões muito íntimas que ficam alojadas dentro de cada um por toda uma vida. É assim a longa distância conectada na bicicleta. Onde a paixão é a roda propulsora, sempre. Tudo conferido, dúvidas sanadas é dado o sinal de largada. Percorrer mais de 40 km dentro da cidade de Curitiba, fez com que os ciclistas vivessem um pouco do clima urbano da capital paranaense e, após cruzar o parque, a primeira elevação se fez presente. Era a famosa subida da Av. Candido Hartmann e devido ao feriado e horário, a rua estava deserta. Assim seguiu por toda a extensão da cidade. Rua Francisco Rocha que nos horários normais o fluxo intenso de automóveis torna quase impossível utilizar a bicicleta como meio de transporte. O Curto trecho de ciclofaixa da Av. Sete de Setembro. Boa parte da Av. Marechal Deodoro e, assim, cada avenida e rua, para quem é curitibano, parecia um devaneio poder pedalar ali. Fora um instante ímpar com toda a certeza. Já nos acessos as rodovias federais, o cuidado redobrado era necessário e após vencer o pedágio da BR 277 nos deparamos com o intenso fluxo de veículos.
Empreitada dura e cuidado mais que redobrado durante a descida da serra. O ritmo era tão intenso que pouco depois das nove da manhã, adentrávamos na cidade histórica de Morretes e em seguida há menos de 20 km o primeiro PC (posto de controle) na também cidade histórica de Antonina. Feita as anotações, sem demora saímos. O fluxo intenso na rodovia demonstrava o drama para superar o acesso até o ferryboat em Guaratuba. A rodovia estadual que liga Praia de Leste e Matinhos, o acostamento é precário por longo trecho. Instante de preocupação. Superados os entraves, a primeira elevação após um bom período plano era sentida antes de chegar ao ferryboat e dava o alerta que o final seria surpreendente para muitos. Contudo, filas abissais de automóveis, pressa de um lado e de outro, e, cada ciclista seguiam em frente. Já no ferryboat uma pequena pausa de descanso durante a travessia, proporcionava uma visão fantástica de boa parte do litoral paranaense. Passado o frenesi da travessia, seguimos boa parte da pedalada no litoral até entrar no Estado de Santa Catarina, na cidade de Itapoá. Importante destacar o quanto é preciosa a palavra, tempo! Seja ela indicando condições climáticas, ou, fazendo a contagem de minutos preciosos. Naquele andamento, o meio da tarde fenecia e a predize do crepúsculo intensificava a cautela, com o dito tempo, para evitar transtornos e ultrapassar o tempo limite do desafio. Todavia, a programação seguia firme e o ritmo intenso da pedalada, proporcionou contemplar a beleza de Itapoá e seu porto. Rodovia bem conservada, mas em alguns trechos o acostamento sujo prevalecia. Próximos da rotatória e há menos de 20 km do PC2, mais um trecho de elevação era superado e o vento diminuía sua intensidade. Chegamos pouco depois das cinco da tarde e, o sêxtuor resistente, um a um carimbava seu passaporte (Anderson Oliveira de Souza, Adilson Soares, Clóvis SoaresDavid Cedran NetoIsaias Domingues Batistas e José Assumpção Alcunha Giba) tinham a noção que a metade do desafio estava quase vencida. Contudo, o andamento da pedalada varia de ciclista para ciclista e a estratégia, idem. Porém, é importante sempre ter a noção de distâncias e, Anderson Oliveira, David Cedran e José Assumpção logo saíram do PC2. Adilson e Clóvis tiveram problemas com o GPS e sinal e ficaram um pouco atrás. Isaías Domingues fez parceria com Márcio Santana de Guarapuava e imprimiram um ritmo alucinante. Mesmo assim, boa parte teve o privilégio de contemplar o Porto de Itapoá e seu magnetismo. Na verdade, esse BRM tem o seu glamour singular e pertence intimamente a cada irmão e guerreiro de pedal. Contemplar cada detalhe, cada prosseguimento é o troféu mais precioso! Bom, a noite reinava por completo. Luzes ligadas, pensamentos longínquos, mas o foco determinava retorno imediato e descanso no Hotel Capelista em Antonina. Aí meu camarada (risos) a dor, o cansaço, tudo é esmagado e dávamos adeus momentâneo a Itapoá e sua rica beleza litorânea. Apressando as palavras e deixando alguns trechos para evitar densidade, o trio embarcava no ferryboat perto das onze da noite. Ali, mais amigos chegavam e José Assumpção tinha o privilégio de conhecer pessoalmente Tomas Tapia. Tiraram uma foto juntos e conversaram sobre diversos assuntos. Nesses instantes a família Randonneurs mostra o seu verdadeiro significado e fortaleza, mais admiração, carinho e respeito por seus pares. Desembarcamos. A próxima meta, o Posto Maru em Praia de Leste. Trecho marcante, pois passamos mais de seis vezes por ali contando o desafio como um todo. Entretanto, a noite e seus estratagemas carecem de veneração sempre. Basta um segundo de desatenção e o sonho finalizava imediatamente. Vencido o PC do Maru, a reta infinita de Pontal do Paraná, sugeria sono em abundância porque o corpo exausto suplicava. Instante de tensão. Parar ou seguir? Aqui toda a experiência conta muito. Anderson Oliveira, David Cedran e José Assumpção aumentaram o ritmo e pouco depois das duas da manhã entravam em Morretes. Como é magnifico e bucólica a madrugada nas cidades históricas. Parece que o cingir de todos os espíritos brotam pelas alamedas, ruas e praças, também nas matas e descampados, avisando e dando as boas-vindas aos ciclistas estrangeiros. Ufa! O Hotel Capelista era conquistado novamente. Duas horas e cinco minutos. Mais de dez ciclistas haviam chegado. Então, Anderson Oliveira perguntou: E, aí Zé? Vamos? Aquele minuto era fundamental para mim. Sabia que se deitasse não levantaria. Também as assombrações do Fleche, do BRM 600 da Lapa e mais recente ainda, o BRM 1000 da Lapa aglutinavam a minha alma para desistir. Então veio a resposta: Leeeeeenha!!! Reforçamos o café e preciso destacar um adendo: o tratamento, a atenção e o acolhimento no Hotel Capelista nunca irei esquecer e com as forças renovadas seguimos a batalha. Após oito quilômetros o primeiro furo. É o fantasma mais temido em qualquer BRM e rapidamente Anderson Oliveira trocava a câmara. Tudo alinhado o prélio seguia. Já na Rodovia 277 José Assumpção fazia zigue-zague no acostamento. O ciclista é veterano do asfalto. A noite é dia para o fulano e, o inesperado acontecia, o sono o possuía copiosamente. De repente, o onírico se transformava em realidade. No meio da pista um sopro ditou próximo do ouvido: Acorde, José! E uma luz potente vindo da pista duplicada retirou-o do transe. A decisão estava tomada. Estávamos em plena rodovia e desprovidos de acolhimento. Carecia de continuar. Peguei a garrada de água. Joguei no rosto e molhei a cabeça. Retirei forças escondidas e trancafiadas há tempos e, seguimos a batalha. Pouco tempo depois num Autoposto 24horas o veneno predileto de José Assumpção era sorvido e renovava as energias.
Bora, que precisamos fechar esse bicampeonato. Nesses momentos, a parceria conta muito e agradeço meu irmão de coração, Anderson Oliveira pelo auxílio e paciência. O dia anunciava sua chegada. O Maru também e a rodovia com acostamento precário era só nossa. O planejamento deu resultado e colhíamos o fruto da conquista, pois em breve, o movimento de veículos seria intenso. Novamente a subida famosa até o ferryboat aquecia nossa manhã e pouco depois das oito e meia vencíamos o PC7. Retorno imediato, alimentação cautelosa, mas nem tanto (risos), paramos no término da descida na primeira panificadora em Matinhos. Pessoal todo curioso observava minuciosamente os ciclistas estrangeiros. Naquele instante, o corpo dava seus sinais de alerta pelo esforço aplicado. Dores nas articulações começavam a minar as forças, mas a determinação guiou os pedais e próximo das dez da manhã dávamos as boas vindas pela última vez ao Maru, por enquanto (risos). Saída imediata o vento contra não colaborava. E pouco a pouco os demais ciclistas seguiam em frente em direção contrária. É importante destacar que o BRM não é competição. Não existe o primeiro ou o último, mas sim aquele que auto suficientemente, concluiu o desafio. Por isso de maneira alguma, buscávamos chegar em primeiros. Era tudo fruto de um planejamento para evitar transtornos vindouros e, próximos da uma da tarde, Morretes era conquistada. Tudo checado, leeeenha! São João da Graciosa era aguardada com expiação. Nunca pedalei por essas bandas e, inesperadamente a organização deu seu toque de arte final ao espetáculo. Além de um lugar paradisíaco, um dos trechos que mais gosto nos desafios sentia meu suor derramar e marcar o barro preto da tecnologia. Subida com grau de elevação intenso, uma vez que mais de 500 km foram superados, o organismo extenuado berrava, suplicava, mas esse é o preço pelas conquistas. Nada pode ser tão fácil que não se vá da mesma forma. Portanto, era necessário saborear os últimos quilômetros e lembrar com riquezas de detalhes cada metro, cada pessoa, cada lugar, cada parte com admiração e carinho. Vencido o trecho, Antonina e o Hotel Capelista era aguardado. Interessante como os últimos quilômetros são os mais difíceis. Você superou mais de noventa e cinco por cento da prova, porém, sua mente pode te derrubar em questão de minutos. Todavia, ao ultrapassar a linha férrea, um filme passou pela minha mente e coração. A conquista do bicampeonato (2017/2018) tornava-se real e, já no Hotel Capelista às duas e meia da tarde de sábado do dia 08/08/2018 novamente sentia o sabor de ser Super Randonneurs! Do meu lado esquerdo, Anderson Oliveira (foto), do outro, Cícero Brito, e mais Isaías Domingues que, merece um destaque especial, pois nos alcançou com uma diferença de mais de cinco horas, demonstrando que, não há títulos que devam ser apresentados quando se há perseverança para dizer que você não é merecedor de participar de certos desafios. Ali naquele momento meu coração estava em paz. A Equipe Ciclismo de Resistência era a primeira a finalizar o desafio. Logo em seguida, David Cedran Neto vencia também o desafio e mais tarde Adilson Soares e Clóvis Soares, finalizavam a prova. Parabéns “RESISTENTES” equipe cem por cento Super Randonneurs.
Agradecimentos:Deus e família primeiramente.
Sergio Ricardo Reis. Patrocinador e apoiador do ciclismo de longa distância. www.tecnocicles.com.br
Cícero Britto proprietário da Virtus Sport roupas para ciclismo e Presidente Clube Audax CWB.
Hotel Capelista pelo atendimento de excelência.
Cleidson Mendes Dos Santos proprietário da Copenhague Esquadrias de Alumínio.
E a todos os organizadores do Clube Audax CWB por manterem com todas as forças a alma e espírito de Randonneurs em nosso país que, sobrevive sem incentivo e muitas vezes pagamos um preço muito alto por isso. Vida longa irmãos e guerreiros de pedais, vila longa Randonneurs.
Leeeeeeeeeeeeeenha!!! Vaaaaaaaaaaaaaaleu!!!

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