O TERCEIRO DÍGITO DO CAMELO


Há dias, ou melhor, há tempos, o camelo beliscava essa marca. Pra turma da leitura entender melhor, camelo é o apelido da minha companheira, a bicicleta. Com ela atravesso todos os dias vários bairros de Curitiba quando tem entregas. Também, a sua robusteza proporciona maiores condições para cargas pesadas e terrenos irregulares. Contudo, ontem sentia que o terceiro dígito seria alcançado. Saímos a todo vapor do meu Pilarzito querido em direção ao bairro Centenário e assim cruzamos o Bom Retiro, São Francisco, Centro, Capão da Imbuia, Jardim das Américas até chegar ao primeiro local. A roda quente, o suor do corpo presente, logo retornava ao centro da cidade em direção ao Bigorrilho. Tudo certo entrega realizada, era momento de acertar a rota em direção ao Sítio Cercado. Em poucos instantes cruzávamos o bairro Água Verde, Batel, Portão, Capão Raso, Pinheirinho e após o primeiro auge no começo da Rua Isaac Ferreira da Cruz, o próximo destino se anunciava. Novamente as rodas vibrantes e o suor mais presente ainda esperavam o retorno. 

Tudo certo, leeeenha (risos) e mais um cliente amigo repassava sua mensagem através da tecnologia que sempre avança em passos rápidos. Novo destino mapeado, tudo acertado, o odômetro digital indicava 70 km rodados até então. – Será hoje a conquista do terceiro dígito? Essa pergunta bateu forte dentro de mim, mas tudo indicava ser a última corrida do dia e próximo das cinco da tarde, o momento lembrava que é preciso seguir em frente para chegar no horário programado. Saída do Hugo Lange aproveitamos o breve trecho de ciclovia tão escassa na cidade para evitar o trânsito intenso, devido ao horário. Pouco a pouco mais bairros somavam-se ao trajeto e dessa vez cruzamos o Cristo Rei, Rebouças, Prado Velho, Vila Fanny até chegar ao Xaxim. Ufa! Que alegria. Mais um trecho vencido e mesmo cansado, o camelo animado dizia pra continuar firme porque hoje era o seu dia. Então, optamos seguir a Rua Francisco Derosso. Todavia, a ferocidade do caminho não medrava segurança e, assim, um desvio rápido de vias lá estávamos outra vez próximo ao Terminal do Pinheirinho. Caprichosamente observei o odômetro. Mais de 90 km superados. A marca estava muito próxima. 

O camelo não se rendia e eu já extenuado, não podia deixar meu parceiro na mão. As forças ressurgiram. A imagem do lar na mente trouxe o alento e demais bairros ficavam para trás. Vencida a etapa, paramos no mercado próximo de casa. Gotas finas de chuva traziam alacridade à terra seca e, igualmente para nós. Era a conquista do terceiro dígito. Mais de 100 km rodados, melhor, 108 km e alguns metros. Após entrar em casa agradeci primeiramente a Deus, depois a família, clientes amigos e parceiros e, muito, ao meu camelo guerreiro, que me acompanha firme sem desanimar. 

Vaaaaaaaaaaaaleu!!!


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