terça-feira, 11 de agosto de 2015

CONSIDERAÇÃO


Certo amigo de longa data, mas que reside em outras paragens confidenciou alguns momentos de angústia quando eu o visitei em uma das minhas muitas andanças onde nos querem bem. Dizia o fulano o seguinte:

A todo instante caminho pela casa. Procuro razões, pensamentos e explicações para o momento. Por fim, torno a caminhar, pela casa. A noite é desmedida! E, diante de tanta ansiedade uma palavra surge clara e pulsante em minha mente: consideração. Isso mesmo, apreço pelos demais habitantes do mesmo teto da parte que pouco se importa se é dia ou noite. Então, tento penetrar um pouco mais e direcionar expressões de acendimento para evitar algo pior ao dito cujo. Todavia, a inércia prevalece no ser hiperativo. A outra parte me cobra energicamente determinação e ordem. Acuado, percebo estar travado no tempo e a decisão desaparece. Está escrachado que o passado de dor não trouxe amadurecimento algum. Por quê? Bom, essa questão não me pertence, pois intrinsecamente a outra parte carece de uma força maior para achar a resposta. Enquanto isso ao adentrar no quarto do meu filho – sim, o dito cujo e causador do caos é meu filho – encontro duas caixinhas repletas de pontas de cigarro e algo mais que não me atrevo descrever, mas conheço a procedência. O fumódromo alastrou substância tóxica em demasia por toda a casa.  Aquilo me estremeceu por dentro e uma mistura de ódio, rancor e raiva, se consolidaram em lágrimas. Nem sei ao certo porque ou por quem eu chorava. Naquele instante meu espírito vagava no passado. Lembrava-se das lágrimas de outrora, porém, despejadas na face de outra pessoa que plantava expectativa no coração. Naquele tempo o vício lícito que, perpetua até hoje, minava as forças da ancestre esperançosa. Talvez, seja hereditária a falta de força de vontade. No entanto, o que doía em excesso no meu peito era o fato das caixinhas serem da irmã mais nova. Imagem amaldiçoada que fiz questão em fotografar pra lembrar-se daquele dia. Na verdade só o fato da fragrância desprezível ficar enraizada em cada cômodo, mais e mais a falta de consideração destruía o meu interior. Mas que praga de guri! Pra que tudo isso?  Interrogações, exclamações e uma infinidade de elementos linguísticos se multiplicavam em minha mente. Então resolvi partilhar isso com você meu amigo. Me desculpe por tirar um pouco da energia ruim de dentro e repassar a ti. Enfim, nesse ato me deparo com os inúmeros pedidos para que não fumasse na casa. Nem eu, nem a esposa (madrasta) e muito menos a pequenina irmã dele, fumamos. Contudo, o pedido em vão seguia. Hoje, uma dura decisão deverá ser feita. O resultado, somente o tempo dirá.


Após o ato abracei-o intensamente. Pedi que ponderasse um pouco mais sobre a decisão que também confidenciou em meu ouvido. E, já no ponto de embarque percebi diminuto sorriso na face sofrida. Dali pra frente somente o tempo realmente dirá, alguma coisa. Espero que esperançosa. Pelo menos é isso que esperamos das novas gerações. 

2 comentários:

  1. Que Jesus cure todas as feridas que abriram!
    Que elimine todos os vícios que nos condenam
    a um eterno purgatório de nossas íntimas misérias humanas...
    Abraço fraterno amigo!

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