domingo, 8 de março de 2015

Aprender é necessário...

Cada queda sofrida, nessa existência, uma certeza é clara: será necessário recomeçar e o primeiro passo é admitir o “erro(s)”.

O dia de hoje não estava promissor para iniciar as pedaladas dominicais e solitárias como já é de praxe. Todavia, o entusiasmo que colaborou e impulsionou o momento se chama amizade. A muito custo formou-se o pelotão de ciclistas e cada qual abdicou do seu tempo valioso e seguir o chamado. Local combinado, horário igualmente e no ponto de partida a energia imposta para superar o objetivo, irradiava alento ao espírito dos seres ali empenhados a chegar e superar os rumores interiores que, colaboram e incentivam a chama do desânimo. Afinal de contas, o trecho de 20 km de ida era repleto de nuances e o relevo pouco favorecia. Outro drama era inserir na mente que o motor que impulsiona a máquina é cada um e os demais grupos apostos para iniciar suas pedaladas, deixavam a mostra magrelas incrementadas e equipadas com artigos de última geração. Nesse instante a mente gira em contratempo e o olhar capta apenas beleza exterior e inferniza a mente para acender a tal chama do desalento. Passado o instante começa a pedalada. Todo o cuidado é repassado para ficar alerta porque estávamos em uma rodovia de fluxo intenso de veículos, independente de ser domingo. Cumes, retas infinitas e acostamento sujo eram superados um a um. Da mesma forma o suor percorria a face e cada gota que caí no solo moderno, a marca deixada demarcava que ali eu passei e superei. O vento forte também era outro fator pouco favorável, mas a diminuta chuva refrescava o corpo, então, chegamos. O alívio estava estampado em cada face e as fotos do feito são a prova mais saborosa para indicar lembrança as novas gerações. Após falei aos camaradas que a volta seria fácil e iriam se espantar com o desempenho, mesmo cansados. Dito e feito e a energia positiva operava velozmente esmagando o cansaço. Todavia, a autoconfiança operou danosamente em mim quando um pelotão passou por nós e arrogantemente pediu passagem. Olhei para cada camarada, e olhei mais ainda para a pista limpa e gritei: ”VAMOS”! O comando injetou fantasticamente substâncias secretas e muito bem escondidas em cada um e ao perceber que já estávamos a mais de 45km/por hora  no início da subida mais ainda avistávamos o pelotão arrogante. Nesse instante esqueci-me de tudo. Cegamente eu corria ao encontro do nada e no toque raivoso no trocador de marchas comecei a pedalar de pé e percebia que os camaradas vinham na mesma cadência. Todavia, bastaram míseros segundos para se esborrachar no asfalto. A queda fora estabelecida. O equipamento precioso deixei em casa e a eternidade daqueles felizes segundos. Sim! Feliz segundos porque o caminhão que iniciava a descida estava bem distante poderia findar todo o meu empenho até então conquistado. Raciocínio algum opera nesse momento e a única palavra que veio na mente foi: Me, fudi! Exato, foi um baita tombaço. Imediatamente os camaradas me rodearam e outros ciclistas pararam e foram solidários.  É nesses momentos que descobrimos o interior de cada ser. Tempos depois eu tinha a sã consciência da merda feita e os camaradas afastando isso da minha mente. Levantei-me e a dor era intensa. Sabia que precisava radiografar e verificar com mais cuidado a queda, mas continuar em frente era necessário e no término da pedalada de volta nos dirigimos ao pronto-socorro mais próximo de bicicleta. Para mim pouco importava a dor intensa, a minha Babilina ( é o nome da minha bicicleta) danificada. O que me impulsionava era os camaradas. Nunca pedalei tão feliz como o dia de hoje e apesar de uma luxação e afastamento de ombro, somado a fratura em um dos arcos costais, a tal costela que a turma fala, eu amadureci um pouco mais pra dizer: errei! E até coloquei em risco meus amigos, por isso sou penalizado com a dor do corpo e saiu barato demais, a conta. Valeu grande Alex parceirão sempre e Fagner meu camarada gente boa, vamos pra cima deles logo, logo...

“Segundos determinam o tempo de cada um nessa existência entre o paralelo que há em viver e morrer. Hoje eu vivi! E o pelotão de ciclismo obedece sempre o chamado. Portanto, certifique-se da segurança antes de iniciar uma investida.”


Obs. – créditos da postagem a esposa porque digitar sem chance por enquanto rsrs.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Licença de direitos autorais(leia com atenção). Ao copiar textos, lembre de acrescentar os créditos. Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution License.