Entre o hoje e o ontem


Indiferente de ser esta data – meu aniversário – o pontapé certeiro para repuxar momentos passados, procuro tão somente alcançar um tipo de autorreflexão perante assuntos delicados. Um destes assuntos chama-se, crescimento. Já comentei com pares muito próximos certa vez que, o nosso crescimento é consequência de etapas de sacrifício pessoal, dor, perda e demais agentes inusitados nunca bem-vindos. E, até mesmo este alongamento no ambiente da dor – cognome repassado pela minha pessoa ao ambiente de pronto-socorro – vivido, presenciado e superado muitas vezes por mim hoje, talvez demonstre apenas a carência de fleuma encontrada em outros contextos igualmente necessários, ao crescimento interno. Tudo bem que a exterioridade, vista a olho nu, deixa a visão acomodada e o sentir nem sempre consegue estabelecer sua presença! Todavia, carece colocar a prova os limites impostos pela falta de coragem ou até mesmo crença em si para superar o incomodo. Ai, sim... o cutucão é perverso. Por quê? Ora, (risos) a voz interna estabelece o dito sentencioso que se fulano pode, eu consigo muito mais facilmente, ainda. Ledo engano, pois, a força de vontade de outrem foi o ponto determinante para obter êxito naquela ação e, ao tentar colocar em prática a superação do desafio, o cuidado deve ser apresentado de forma clara para evitar atropelo e afobação. Por isso a ansiedade é tão presente nos dias de hoje. Foi herdada e ninguém sabe ao certo em que momento este tesouro maldito se apossou de cada ser nesta existência. Muitos jogam pedras na infoxicação – exagero de informações para ficar atualizado a todo instante – enquanto outros continuam defendendo o “acaso” conhecido por destino. Seria correto estabelecer esta condição de infortúnio? O revide pertence a ti para enfrentar o desconhecido. No entanto, tenha a certeza de que conforme o grau de risco desta ação, a probabilidade de sucesso sempre será pequena. Assim é a caminhada. Incerta, insegura, feliz e repleta de recompensas, contudo, somente pode ser efetuada de maneira errante e solitária. Mas, e o coletivo? Somos sociáveis! Carece do próximo igualmente para compartilhar momentos de júbilo ou prejuízo. Entendo... contudo, a força da massa será breve e delimitada devido a euforia que é efêmera. Após o ato, o ser volta a sua condição infeliz de retiro e pensamentos perturbantes que ativam vez ou outra a solidão. Neste instante, recobro a consciência e observo atentamente o empirismo avançar a passos largos. Tarefa dura que empurra os ânimos acalorados de encontro ao limiar dos mais diversos e vaidosos egos. Bom, o jeito é comemorar a chegada até este patamar de existência e aguardar os novos passos chegarem e quem sabe, acreditar que ouvidos estarão atentos para aprender, ou não...

Meu feliz dia de mais uma primavera, conquistada.

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