quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SETE DE SETEMBRO - Ó, VERDE OLIVA! DÁ ESPERANÇA...


Da coleção "dando uma garibada".É um texto antigo , mas muito pertinente e atual...

Não há como deixar de lado o dia anterior (06/09/2010) como alusão deste momento para detalhar a imagem de sete de setembro, apenas para mim. Como sempre, os primeiros passos na labuta morosa de uma noite no ambiente da dor (pronto-socorro), demonstram a continuidade operante do descaso com o enfermo dia após dia. Porém, o assunto é outro! Portanto, deixo arquivado este repente para uma próxima ocasião, mas nunca se esquecendo de retratar que nossa condição de luta é constante, quando a questão é querer respeito.


Bom, segue lá.. Saí extenuado como sempre e o frio da manhã fez com que a minha companheira fiel “minha magra (bicicleta)” ficasse estacionada temporariamente no pátio do hospital, até o novo resgate somente à tarde, porque o exuberante dia que se formava, indicava o compromisso em outros ares. E, mesmo notando o relógio analógico do setor, atrasado. A pressa em chegar ao lar mais viva ainda, e as portas da liberdade somente alcançadas após o contato do cartão-ponto magnético na catraca, a ansiedade é mais intensa. Superado o protocolo de saída, a ocasião é o deleite da forte brisa da manhã na face. Minha magra estacionada provisoriamente, o jeito era aguardar a carona preciosa da genitora poderosa, que zela com carinho do seu fruto do amor absoluto. Mãe é assim! Um grude com os filhos e dentro do automóvel do meu pai de coração, uma translação segue assim: “retorno rápido feito cavalo veloz, diante da imagem do automóvel construído pelo homem moderno, que supera quilômetros em questão de segundos”.


Ô, maravilha! Em instantes, estava em frente à porta do lar e como prometi a minha cria, que iríamos ao desfile de sete de setembro, o mesmo aguardava ainda não desperto, a promessa em palavras serem cumpridas para então mostrar-se a imagem do orgulho do “dia da pátria” na Avenida Cândido de Abreu. Deixo de lado o desatino da mente vibrante e então abro a porta de o meu lar. Contudo, o peso da fadiga domina e diante deste momento quase que o horário da firmeza da palavra passa em vão. É nesta ocasião que a companheira reflete a importância na vida de um homem.


Deitei provisoriamente e quando os exatos números determinaram o horário de levantar, a esposa querida avisou-me. Fui direto ao quarto da minha semente bruta, resgatar a palavra que é lei para este diletante. No digital do forno de micro-ondas o horário demarcava a barreira do tempo, acusando 09h35min e enquanto meu guri lavava seu rosto sonolento, após o descanso precioso, eu tomava o meu café habitual para tentar resgatar forças e ir de encontro ao desfile na avenida.


Novamente as lembranças encravadas no meu ser ativam a voz saudosista do meu interior, apontando que, dias antes do evento, eu havia conhecido um ser ímpar naquelas bandas, e desta maneira ficou gravada na minha memória de forma exuberante. Trata-se de um ambulante que vende livros na rua. Algo pouco característico em outros lugares, mas muito vivo no dia a dia, aqui no sul. Pelo menos pra mim, soou assim este episódio, percebendo o manejo daquele homem a explanar seus livros ao leitor interessado. O pensamento ativo novamente incorporava esta lembrança. Vencido o processo no lar, o jeito era embarcar no ônibus, devido ao fato da minha magra estar em outras paragens. Meu miúdo é extremamente curioso, e depois da propaganda bolada por mim, dias antes, se sentia inquieto do meu lado para ver e sentir de perto o encanto da marcha dos soldados da pátria amada, que foram lembrados dias antes na sua escola. Estranhamente, lembrei-me de um amigo que é cabo da PM e auxiliou-me comprando o livro que participo como co-autor e uma pergunta vêm de imediato na minha mente inquietante. Estaria ele lá, desfilando?


Algo muito improvável, uma vez que compartilhamos da mesma noite de afazeres no ambiente hostil da dor, porém, ele desempenhando a sua função e a noite fora muito conturbada. Bom, passado esta abstração, percebi que os meus passos e também do meu pequeno companheiro, estavam eufóricos. E, chegar até o rufo dos tambores, que escutávamos ao longe, mas intensamente era o destino programado. Foi então que nos deparamos com uma densa massa de pessoas, fazendo com que caminhássemos inúmeros metros para conseguir observar este momento “antológico”. A muito custo nos aproximamos e maravilhado fiquei , quando presenciei dois trechos. O primeiro o orgulho da farda organizada, que demonstra a força e organização para zelar do gigante de berço esplêndido. E, o segundo o mais importante: “O brilho” do olhar de uma criança feliz, pois presenciava de muito perto e igualmente sentia a imagem do respeito ser repassada.


A cada trecho do rufo de tambores e a marcha precisa e elegante da imagem da força e do respeito, um sorriso de encanto saía do semblante feliz de meu filho. Meu coração alegre e em paz cada vez mais devido à apoteose do momento. Era a primeira vez que a criança existe em mim, também se inebriava e contemplava um desfile militar. Todavia, num rápido baque, meus ouvidos captaram a fala de mais um expectador deslumbrado, dizendo o seguinte:


– O que atrapalha este espetáculo bonito são estas placas que ostentam a propaganda e juntam-se aos folhetos de campanha da imagem turva dos políticos opulentos! Lembrei imediatamente do amigo “o homem livreiro” com tristeza, pois a poucos metros dali, fica um de seus pontos itinerantes e até imaginei ingenuamente que porventura ele poderia usufruir deste momento para embelezar o desfile do respeito. Mas, não seria enclausurado por fazer de uso deste espaço para motivar a leitura? Ou pior, por que as faixas e cartazes não foram recolhidos para deixar seguir a marcha varonil? Um tormento após o outro assolou minha mente e ao término do desfile de sete de setembro, discorri outra vez:


– É ... Nossa condição de vivência é sempre de momento e conforme nossas decisões seguem, colhemos frutos amargos ou saborosos. Passada a meditação, retornamos ao lar, satisfeitos. Percebi então, que toda a imagem que se segue com respeito, precisa sempre cumprir a promessa detalhada, seja ela como “escrita” de lembrança, “fala” de esperança ou “imagem” de emoção.


DEUS ABENÇOE SEMPRE O MOMENTO DE CADA DECISÃO...

(Salmo 90 e salmo 38).



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