sexta-feira, 16 de julho de 2010

A águia, o lobo e o andarilho...


Apossada pela poesia do vôo singular no céu azul, 
a águia pousou no alto da montanha 
e, desguarnecida por efeito do tênue raio de sol em seu semblante, 
fora atingida em cheio no coração, 
pela flecha do destino... 
Queda mortal no mundo dos homens! 
Desta, se fez lobo. 
Desde então, 
delineou suas quatro patas com tamanha sanha de procura, 
que todo o sentimento desapareceu. 
Todavia, voraz e cauteloso sentia-se único! 
Deslembrando por muitas vezes, que o novo trajeto, 
abriga o cárcere ardiloso da aleivosia... 
Num breve cochilo nas terras do amanhã, 
fora preso novamente pelo estratagema do acaso. 
Sem dó, nem piedade, 
a natureza solitária deflagrou sua maior fraqueza. 
Amputaram suas quatro patas então, 
e em troca deram duas pernas, 
condenando-o a vagar feito andarilho.
Dia após dia, tornou-se sua meta de vivência sem orgulho, 
sem sentimento e sem questionamentos. 
Até o ato de sonhar fora extirpado!
No entanto, numa soberba noite, 
sob o efeito do olhar nervoso da lua, 
o canto longínquo da alma limpa e pura da emoção, 
resgatou dos antepassados o elixir de Ponce de León ,
inebriando o espírito incrédulo ...
 Era um canto mágico, envolvente, um dom único de poucos! 
A resiliência fez a águia ressurgir das cinzas, 
para escutar a mais inocente de todas as verdades,
 acreditar e confiar.
 A transmutação operava no lobo, igualmente!
 e toda aquela angústia da carência de sentimento
e falta de motivação do andarilho, 
foram esmagados no mais rico dos sentidos! 
Ouvir...
A aurora prevaleceu e o encanto, 
terminou.
 

JRA ( o poeta da verdade). 

3 comentários:

  1. Tirei o dia para ter boas leituras meu bom amigo

    beijos

    Paola

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  2. Acho que esse está entre os seus mais perfeitos escritos! Adorei, Joh!
    Abraços

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  3. Saudações brother!

    Fascinante! Um grande abraço.

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