sexta-feira, 1 de maio de 2009

O BAR DO BILO 5º MOMENTO – SECA PIMENTEIRA


Folheando as páginas do jornal no habitual de cada manhã, notei que a semana começava a todo vapor a demonstrar que o clássico de domingo nunca fica fora de moda, mesmo que ambas as equipes estejam com o elenco sem condições a autenticar um futebol com qualidade.

Atlétiba é sempre assim e o Bar do Bilo no aguardo dos clientes fiéis a bater cartão logo cedo e esquentar a goela com a preciosidade da casa a famosa caninha Trevisan e o assunto rotineiro da paixão nacional “futebol”.

Mas antes de qualquer coisa o momento era a leitura e ocorreu a curiosidade a observar a previsão do zodíaco para semana – ato difícil – e de repente o alerta... ”você está passando pela fase na qual o Sol o desfavorece, e a partir das 15h47 a lua também passará a mandar energias negativas para sua vida profissional e pessoal. O melhor a fazer é a rotina total”... Ou seja, to no tal inferno astral.

Não dei muita bola, mas o dia amanheceu estranho e ao levantar a patroa disse.

– Você me azucrinou a semana toda e hoje teu timeco vai dançar.

Lembrando o pessoal da leitura que o coração é cego, pois a minha patroa é coxinha branca topetuda e das bem topetudas. Logo detonei.

– Mulher não entende de futebol e vai preparando o café que hoje o bicho pega no ambiente da dor. Aquela manhã foi um peso e não eram somente o meu furacão a jogar e sim mais alguns times que o coração bate forte pelo território nacional.

Tomei o café e a patroa a cada trecho do dia a mencionar.

– Teu timeco vai dançar olê, olê, olá...!

Fiquei em silêncio, pois sigo a risca um velho ditado – dentro da cozinha quem manda é a mulher, opa errei, dentro da casa – e o almoço indicava que a hora da peleja no quadro verde da emoção se aproximava e antes de ir pro batente, logo após a refeição do meio-dia ajeitei o sofá a esperar o clássico.

Chegado o horário fatal sintonizei o canal e um chuvisqueiro na imagem. Logo pensei.

– Isto é sinal de mau agouro!

E pra reforçar um anu piava no pé de louro. Peguei um pé de um tênis acabado e joguei no mardito bicho. Espantada a ave sentei e após alguns socos na TV tudo normal.

O jogo começa a mil por hora e o furacão em cima. Passado seis minutos o desastre da seca pimenteira começa a dar o ar da graça. Dois a zero pros patoxas.

Patoxas é o cognome que o irmão sangue bom deu pros coxinhas e um silencio se estabelecera no terreno. O primeiro tempo só deu os patoxas; então resolvi dar uma geral e sintonizar outros canais pra ver como estava o desempenho das outras equipes.

Parecia que o mau agouro contaminou por todo lugar. O galo mineiro levando bucha da raposinha. O fogão sofrendo com o urubu e o meu peixe assando na espada de São Jorge. Tudo errado! Então desliguei a TV e me preparei pra peleja no ambiente da dor e a patroa a cantar.

– Olê, olê, olá, teu timeco vai dançar!

Deixei cantando sozinha e me bandeei pro ambiente da dor. Chegando ao vestiário o traia do Pacheco vestido com a camisa alviverde com aquele sorriso estampado de felicidade.

– Zé te falei que teu timeco é fraco!

Estava decretada a zica e perder pros coxinhas é pior que perder o titulo pro lanterna do campeonato na ultima rodada.

O Pacheco saiu todo faceiro a desfilar com a camisa do time e eu cabisbaixo sem reagir com uma só palavra que fosse. O camarada Péricles estacionava o possante e vendo a cena balançou a cabeça de um lado para outro e ao sair do carro mencionou.

– Pô Zé! Perder em casa e justamente pros coxa é pior que acertar o caderno no fim do mês no bar do bilo.

O parceiro trouxe uma péssima lembrança, pois naquele instante esqueci que tinha apostado com o traia do Pacheco que o time que perdesse o jogo pagava o caderno do mês no Bilo.

O Pacheco estava tão empolgado que esquecera e eu bem quieto. Os dramas rotineiros de uma domingueira no batente passaram e por sorte o desastre foi tão grande ante a derrota do furacão, que os valentões de plantão resolveram se aquietar e cada qual foram pra suas casas sem badernar no termino do clássico e melhor ainda; não aparecer pra bater cartão no ambiente da dor.

À noite se arrastou e no termino com o compromisso no batente logo pela manhã os clientes fieis se preparando pra bater cartão em outro lugar.

Aconteça o que acontecer nas quatro linhas do campo o ritual é sagrado em cada segunda-feira tão esperada pra saborear a preciosidade no bar do bilo.

– Zé o primeiro talagaço é por minha conta!Só pra você não dizer que sou mão-de-vaca. O Pacheco estava tão empolgado que se esquecera da aposta, mas o Bilo não. Antes mesmo da saideira lembrou.

– Hei pessoal hoje é dia de acertar o caderno!

Puxei do bolso os últimos trocados que restaram do vale e antes de repassar a bufunfa pro Bilo o Pacheco interveio dizendo.

– Zé não esquenta não! Sei da nossa aposta, mas só o fato de deixar tem timeco de quatro no caldeirão da baixada pago o caderno este mês. Naquele instante lembrei-me da leitura do editorial almanaque e em silencio matutei.

– Mulher não entende bulhufas de futebol e eu menos ainda de horóscopo.

E assim tomemos a saideira a esperar a confirmação do rubro-negro campeão estadual na próxima domingueira pós plantão, mas é claro, sem comentar com a patroa, pra não dar zebra...


Um comentário:

  1. como eu sempre digo: é patético mineiro, patético paranaense... tudo igual!

    eu sou uma mulher muito versada (literalmente): entendo muito de cozinha (até de alta gastronomia), futebol e astrologia (pode crer)!

    huahuahua

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