segunda-feira, 2 de março de 2009

Bordões e Espertalhões



Certa vez no barraco do descaso “Tilispa” – o patrão da área – resolveu maquinar uma arte para sorver ainda mais os bordões – pra não falar outra coisa – do pedaço. O dito-cujo era mestre nisto ainda mais se tratando de um cascalho a mais a complementar a sua sede de Jaguará sanguessuga. Entretanto, ocorria que um tal de “Ariscus” beliscava a teta gorda e saborosa do grande da joça e por mais cuidadoso que o fulano fosse o Tilispa já tava na cola do baita. O dia sempre era promissor e generoso com o dono da área e uma trégua tinha que ser dada pro descanso necessário. Este momento se chamava “noite” e assim o Ariscus se aproveitava de todas as formas para lamber a teta infinita que os bordões – pra não falar outra coisa – erguiam dia após dia sem questionamentos. No delírio do Tilispa surgiu um tratado de cognome “Taxa de manutenção” e no maior cinismo repassou o folheto pros bordões de plantão – pra não falar outra coisa – a seguir a risca o código. Se vale pra um, vale pra dois, ainda mais sabendo da vastidão oportuna que o ambiente ofertava e sem demora Ariscus criou mais um tratado de cognome “Taxa pós-manutenção”; lógico na surdina e sem deixar rastro algum porque a noite é do lobo.Passado um certo tempo um bordão – pra não falar outra coisa – resolveu abrir a boca – ato dificílimo no ambiente – e na singeleza do tipo comentou: – Aqui está a grana da taxa pós-manutenção , esqueci de repassar a noite. – O que!? Tilispa com os olhos arregalados queria esfolar o vacilão, ante a suspeita – através de um delator custoso – que alguém tava botando a mão no jarro. Custoso e muito, pois Jaguará bom é Jaguará avarento e repassar o quinhão pro tipo era um tormento pro sovina do pedaço. O bordão – pra não falar outra coisa – quase teve um treco e na gagueira não saiu porcaria nenhuma a colaborar com a condição atual de um informante que se preze para o único rei “Tilispa”. – Vá sujeito e deixe aí a pós-manutenção! A mente do Tilispa pifou. Ter idéia dos acontecimentos era uma hecatombe abissal pro individuo sugão, mas algo tinha que ser feito. Resolveu soltar a mão e colocar o dedo-duro de plantão, ou melhor, “à noite” a verificar de todas as formas quem, pra quem e o quanto este tal de “quem” tava levantando. Não seria difícil chegar ao alvo, mas Ariscus era um sujeito precavido e com idéias. Na primeira noitada avistou o novato e sem enrolação foi direto na jugular do baita. – E aí dedo qual é o seu preço? O Ariscus com a mão cheia da nota folhava uma a uma e o olhar do cara brilhava intensamente. – Como assim, qual é o meu preço! – Não titubeie, sei por que está aqui! De repente cai uma nota ao chão da mão do Ariscus e o novato coletou. Uma a uma caía ao chão e o sujeito firme a angariar. – Bom, acho que basta! Falou Ariscus a quase virar as costas. – Não! Espere! O sujeito ao ver a nota de cem a quase sair da mão do novo comandante, não agüentou. – Sim, tem um preço! Um ditado precioso se fez presente na idéia do sagaz dono do novo código – quem faz um balaio faz os cento – e sabia que o novato se renderia ao avarento Tilispa numa próxima investida. – Ok sujeito aqui está à nota, volte e sabe o que dizer! Neste instante o lobo da noite arquitetava um domínio maior, ousado e tentador. Repassou uma nota de cem a um bordão – pra não falar outra coisa – e mandou-lhe entregar bem cedo ao coletor da taxa. O bordão – pra não falar outra coisa – sem questionamento seguiu e mais um tópico precioso seria dado na ocasião esperada. – Quando ver o novato que por aqui passou , falar com o Tilispa, entregue a nota dizendo: –Faltou esta nota na coleta da pós-manutenção! O dia semi-claro e com nuvens gris abria portas para o infortúnio do fominha o tal “dedo” . – Espero que tenha resolvido...! Nem bem o Tilispa acabou a fala o bordão vacilão – pra não falar outra coisa – adentrou ante tropeços e na fala sofrida direcionou o inesperado de momento. – Faltou esta nota na coleta novato! Na virada que se deu a escutar a fala do bordão – pra não falar outra coisa – o dedo-duro caiu ao chão. Um único disparo deflagrado do armamento julgador do Tilispa silenciou o duas caras. O bordão – pra não falar outra coisa – rapidamente se afastou e a caminhar continuou. Tilispa julgou sem pensar, agiu sem esperar e por fim indagou. – Então és conhecido como novato hein! – Agora é finado novato! Já era! E assim seguiu o equilíbrio no barraco do descaso depois da ação do ato, mas Ariscus necessitava dar um alinho no bordão boca aberta – pra não falar outra coisa – e vacilão. Seguir a ação do Tilispa não podia, não era assim que procedia. Matutou um pouco mais e então resolveu a questão. Bom, pra quem leu até aqui não conto não, pois sou um espertalhão e não um bordão (rs pra não falar outra coisa)...


Um comentário:

  1. kkkkkkkkkk... vc quer me matar de rir ou de saudade? decide, jaguara!
    bjão e uma ótima semana!

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