domingo, 26 de abril de 2009

UMA GOTA QUE CAI


Oriundo do meu lar a caminho do ambiente da dor – num domingo perdido no tempo – estava eu dentro do ônibus, e a precipitação atmosférica incessante incomodava muito, pois sabia que já tinha pegado muitos atestados de chuva e desta vez não tinha escapatória.
Bom, rapidamente pro pessoal da leitura entender, atestado de chuva é quando o sujeito está naquela preguiça inevitável, tentando arranjar uma maneira para dar o golpe no compromisso com o trabalho, e sem guarda-chuva, apelei para sombrinha de minha mãe.Segundo algumas pessoas falam, o que é da mãe da gente, é nosso. Ainda bem! E a sutil sombrinha sofria com o vento forte presente, a quase desarmá-la. Ocorria também uma aflição com os horários de ônibus, uma vez que desabituei por causa da bicicleta, e o domingo é critico neste ponto, ainda mais quando se está atrasado. No primeiro ônibus que apareceu embarquei e a chuva aumentou. Com isto a preocupação de chegar encharcado no trabalho ocorreu de momento, então logo pensei:
- Cacete! Trabalhar todo molhado, chegar atrasado...
- Só falta estar cheio o ambiente da dor!
- Daí estará completo o infortúnio!
Antes fosse apenas o fato da chuva a me molhar e o atraso incomum, porque apesar dos onze anos de pronto socorro, nunca cheguei atrasado. O motorista seguia lentamente o trajeto, como já é de costume no horário de domingo, e com isto minha preocupação com o atraso aumentava. Até dava vontade de falar:
- Ô, lesma!
- Dá pra ir mais rápido?
- Terei que passar uma noite inteira molhado e acordado!
Coitado do motorista, eu pensando isto dele, como se ele tivesse culpa do meu atraso e da semana que foi dificílima para mim. Mas realmente o meu estado de espírito não estava de acordo com o habitual . Mas o incrível, que apesar da demora do motorista e o fato de chegar atrasado, não me incomodava, mas sim a chuva intensa. Algo parecia me dizer que aquela chuva eram lágrimas de uma pessoa distante, que aumentavam conforme as lembranças na mente. Mas não era somente isto, parecia que aquele alongamento era por outro ensejo. Faltando dois pontos para chegar ao centro da cidade, existe um trecho que muitas pessoas ficam no semáforo, que dá acesso a Rua Barão do Cerro Azul fazendo malabarismo com frutas ou qualquer coisa que esteja no alcance tentando ganhar algumas moedas da boa vontade dos motoristas que ali param.
Espantoso! Em pleno domingo e diante da chuva torrencial nunca imaginei presenciar aquilo. Um moleque franzino e mal vestido praticando malabarismo com algumas frutas que acredito eu, ele pegou na Feirinha do Largo que acontece todo domingo, para chamar a atenção dos motoristas que ali paravam. Aquela chuva assídua e o menino todo encharcado a demonstrar um serviço estranho ao nosso olhar, na busca do seu ganha-pão.
Carros e mais carros passavam e o menino entre eles, desviando e jogando aquelas frutas para cima no meio da chuva intensa. Tive vontade de jogar uma moeda para ele, no momento que abri ligeiramente a janela do coletivo a observá-lo. Mas sabia que seria em vão a tentativa, pois o ônibus estava rápido porque chegava perto do ponto final. Talvez o menino fosse se distrair e a situação pioraria diante do ato. Na verdade não era o fato da moeda fazer alguma diferença a somar se com as demais possíveis que alguém poderia ter ofertado.
O que me assombrou mesmo foi o olhar do moleque para cada carro que passava perto dele com tamanha apatia sem notar seu esforço para demonstrar aos motoristas que a condição do dia não fazia diferença se fosse de chuva abundante ou sol intenso, pois seu esforço para conseguir abiscoitar algumas moedas era a condição para não ter que roubar.Sabia que lágrimas não caiam da sua face, e seu semblante triste era por não poder demonstrar de outra maneira que a bondade das pessoas não está em cada moeda oferecida e sim em abrir o vidro do carro e notar seu esforço por cada gota de chuva que caía do seu rosto sem lágrimas.
A chuva chorava por ele e depois que o coletivo fez a curva para chegar mais próximo do seu destino refleti:
- Diante deste momento presenciado segue o dia a dia de cada um a provar que o primeiro passo para se tornar forte é acreditar que por pior que seja sua a circunstância, sempre tem uma solução quando se tem força de vontade !

2 comentários:

  1. gosto como você descreve o que observa... muito mesmo!
    beijos

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  2. it was very cute and sweet from you to tell me... you're so fond to me and i really appreciate what we've been sharing til then! with all my heart, my best wishes for you!

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