O BANCO DA PRAÇA




Sento no banco da praça independente de qual seja e escuto todo o barulho de uma cidade que não pára. Ônibus, pessoas e muitos carros seguem em fervoroso agito na busca de muitos lugares. Mas continuo sentado. Pessoas passam e notam um indivíduo atípico ao recinto e como o único curso delas é o agito, seguem freneticamente após sucinta observação . Porque o banco da praça?Seu assento duro e pouco confortável é o camarote do teatro urbano onde tudo observo. Lá percebo todas as faces dos artistas anônimos que mantêm firme o espetáculo da vida real. Vida real sim! Vejo coletores devidamente registrados zelando pela limpeza. Meninos descalços e maltrapilhos tomando banho no chafariz das praças com tamanha liberdade que a vontade de acompanhá-los somente é travada quando a guarda municipal chega ao recinto. É uma correria alucinante e por fim acabam voltando depois de certo tempo. Há também os Panfleteiros por todo lugar e o único calçadão que há é vasto e serve como via urbana de pedestres sem habilitação. Digo isto, pois o atropelo é grande e sai da frente que atrás vem gente! E gente com muita afobação. Mas quem é este que senta de banco em banco a observar? É o indivíduo atípico e sereno que adora o banco da praça. Tempos destes fui a São Paulo. Cidade vibrante e notei que o pulsar era o mesmo. Mas faltava algo muito importante lá “o banco da praça”. Por todos os lugares que passei nada do precioso banco. Fiquei acabrunhado, travado e revolto a busca desta preciosidade e por fim nada. Não avistei nenhum banco de praça. Como poderia observar da mesma forma a “cidade metrópole”? Na minha condição de platéia não foi possível naquele instante notar os artista daquela terra viva e no regresso a cidade das quatro estações diárias sentei de imediato no primeiro banco que vi. Ufa, que alívio! Cá estava todo feliz a sentar e notar. De súbito avistei uma nuvem a cobrir o sol vespertino. Que espanto! Os demais circulantes também notaram. Intrigado diante do ato levantei bruscamente e a única nuvem de momento já não estava só e uma a uma se somavam rapidamente. Ri de momento, pois percebi que mesmo na pressa que há no dia a dia todos estão atentos ao tempo. Seja este tempo marcado no relógio ou através da mudança climática. Um vento forte levantou uma poeira estranha de uma terra cimentada e pavimentada. Espantado levantei do banco e segui o curso dos demais e quando o vento cessou parei longe do banco da praça e então pensei em silencio: - Hoje entrei na marcha do dia a dia de uma cidade que vive preocupada com o tempo! – Isto irá mudar? – Somente o tempo dirá...


Comentários

  1. Oi amigo de blogosphera, tudo bem???
    Obrigada pelo comentário em meu cantinho...
    Em especial, esse post me deixou fascinada porque hoje mesmo escrevi um texto um tanto parecido com o seu, sobre observar o corre-corre de uma grande cidade e os desfechos diário das pessoas que nela vivem..ainda não deu pra postá-lo porque a inspiração veio a caminho do trabalho e só tinha meu celular pra registrar todos os acontecimentos como forma de mensagem.
    Masss, amei seu texto porque pude viajar nas entrelinhas, e são poucas as pessoas que alcançam essa proeza. PARABÉNS!

    Beijos.

    P.S.: Ah, quanto ao orkut, será um prazer ter um novo amigo, adicionei-me please!
    luciane_pereira20@yahoo.com.br

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