segunda-feira, 2 de março de 2009

O BANCO DA PRAÇA




Sento no banco da praça independente de qual seja e escuto todo o barulho de uma cidade que não pára. Ônibus, pessoas e muitos carros seguem em fervoroso agito na busca de muitos lugares. Mas continuo sentado. Pessoas passam e notam um indivíduo atípico ao recinto e como o único curso delas é o agito, seguem freneticamente após sucinta observação . Porque o banco da praça?Seu assento duro e pouco confortável é o camarote do teatro urbano onde tudo observo. Lá percebo todas as faces dos artistas anônimos que mantêm firme o espetáculo da vida real. Vida real sim! Vejo coletores devidamente registrados zelando pela limpeza. Meninos descalços e maltrapilhos tomando banho no chafariz das praças com tamanha liberdade que a vontade de acompanhá-los somente é travada quando a guarda municipal chega ao recinto. É uma correria alucinante e por fim acabam voltando depois de certo tempo. Há também os Panfleteiros por todo lugar e o único calçadão que há é vasto e serve como via urbana de pedestres sem habilitação. Digo isto, pois o atropelo é grande e sai da frente que atrás vem gente! E gente com muita afobação. Mas quem é este que senta de banco em banco a observar? É o indivíduo atípico e sereno que adora o banco da praça. Tempos destes fui a São Paulo. Cidade vibrante e notei que o pulsar era o mesmo. Mas faltava algo muito importante lá “o banco da praça”. Por todos os lugares que passei nada do precioso banco. Fiquei acabrunhado, travado e revolto a busca desta preciosidade e por fim nada. Não avistei nenhum banco de praça. Como poderia observar da mesma forma a “cidade metrópole”? Na minha condição de platéia não foi possível naquele instante notar os artista daquela terra viva e no regresso a cidade das quatro estações diárias sentei de imediato no primeiro banco que vi. Ufa, que alívio! Cá estava todo feliz a sentar e notar. De súbito avistei uma nuvem a cobrir o sol vespertino. Que espanto! Os demais circulantes também notaram. Intrigado diante do ato levantei bruscamente e a única nuvem de momento já não estava só e uma a uma se somavam rapidamente. Ri de momento, pois percebi que mesmo na pressa que há no dia a dia todos estão atentos ao tempo. Seja este tempo marcado no relógio ou através da mudança climática. Um vento forte levantou uma poeira estranha de uma terra cimentada e pavimentada. Espantado levantei do banco e segui o curso dos demais e quando o vento cessou parei longe do banco da praça e então pensei em silencio: - Hoje entrei na marcha do dia a dia de uma cidade que vive preocupada com o tempo! – Isto irá mudar? – Somente o tempo dirá...


2 comentários:

  1. Oi amigo de blogosphera, tudo bem???
    Obrigada pelo comentário em meu cantinho...
    Em especial, esse post me deixou fascinada porque hoje mesmo escrevi um texto um tanto parecido com o seu, sobre observar o corre-corre de uma grande cidade e os desfechos diário das pessoas que nela vivem..ainda não deu pra postá-lo porque a inspiração veio a caminho do trabalho e só tinha meu celular pra registrar todos os acontecimentos como forma de mensagem.
    Masss, amei seu texto porque pude viajar nas entrelinhas, e são poucas as pessoas que alcançam essa proeza. PARABÉNS!

    Beijos.

    P.S.: Ah, quanto ao orkut, será um prazer ter um novo amigo, adicionei-me please!
    luciane_pereira20@yahoo.com.br

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