segunda-feira, 2 de março de 2009

NECESSIDADE X DESEJO




O ano que passou não foi muito próspero, mas muitos auferiram e “eu” também necessitava massagear o ego com um presentinho necessário. Passei na loja do meu amigo Sérgio Cabelo e então deixei minha magra – no caso minha bicicleta – para uma geral habitual e aproveitando a deixa me presenteei. Ah, nada mais justo um pouco de atenção para minha magra e lógico sem interesse. Orcei e não matutei muito sobre o custo, pois a necessidade era maior. Necessidade esta é claro de puro desejo. Alguém num passado distante mencionou que criança não pode passar vontade de doce!E adulto como que fica neste chinfrim?Realmente este presente daria o que falar. Passado o dito desejo, ou melhor, a necessidade sai todo faceiro com a magra a pedalar. Sou suspeito neste trecho por ser ciclista, mas enfim “eu” e minha magra a rodar e realmente a danada ficou show. O trabalho do Sérgio Cabelo é notável e mesmo sendo seu cliente por mais de dez anos, não canso em expor o capricho e gosto que o sujeito tem no que faz. Voltei para casa e no habitual cochilo vespertino esperei o horário fatal do encontro com o ambiente da dor. Pessoal da leitura preciso ser franco, porque realmente trabalhar é um dom para poucos. E como vagal nato resolvi encarar mais uma noitada na delonga que é diante do ambiente do descaso. No digital do microondas acusava 17min35hs e percebi que o banho prático e rápido de 40 minutos tinha ultrapassado um pouco do normal de 35 minutos e quase atrasado estava. Então sai todo molhado pela casa e a patroa com um cabo de vassoura atrás de mim. Não entendi o porquê da sua revolta, pois estava contribuindo com o zelo do chão molhando e arrastando com os pés descalços por toda a casa a água que a pouco adquiri no asseio do corpo. Ajeitei-me da maneira que pude a desviar dos golpes insanos da patroa e sem demora pulei na magra a caminho da ocupação. Dia de calor, tarde exuberante e um vento a trazer um afresco, ops errei, ar fresco para embalar a pedalada necessária da mente e coração. O trajeto é de aproximadamente 10 km e como o relevo do bairro é marcado por subidas e descidas fui embalado por um bom trecho, como se fosse uma folha solta no ar. Ao se aproximar da canaleta de ônibus notei o sinal a mudar do verde para o amarelo. Troquei as marchas para aumentar a velocidade, mas o volume intenso de pedestres me deteve. Desconectado da magra segui pela calçada e quase na estação tubo central notei um banco de praça que há tempos não freqüentava. Antes fosse apenas a minha percepção a notar o banco vazio ou até mesmo com pessoas sentadas a conversar, senão fosse à cena a presenciar de um andarilho que me acompanhou por inúmeras noites no ambiente da dor. Sim! Era ele sentado no banco da praça! Barbudo, cabelo alongado, pés inchados e uma garrafa pet de 2 lts pela metade de um liquido que julgava “eu” seria uma mistura de algumas bebidas destiladas e com o sol de fim de tarde a ferver o frasco letífico. Bom, em relação ao liquido somente degustando para ter certeza, mas no resto meus olhos notavam fielmente o individuo que há tempos não via. Lembro das noites que ele freqüentava o ambiente da dor bem trajado e se alguém proferisse “andarilho” a ele, com certeza estaria redondamente enganado. Montado em minha magra comecei a delirar e questionar. Qual seria sua necessidade? Qual seria seu desejo? Porque no seu olhar e mais ainda na sua face era notado um sujeito nulo, inerte e pior ainda perdido a viajar por um mundo que somente a sua mente seria capaz de suportar. Pedalei por mais alguns metros e quando cheguei à avenida principal próximo do meu destino dei uma rápida observada no sol poente e agradeci na lagrima que desceu dos olhos ao chão para entender que tudo que tenho é a necessidade material e jamais ira alcançar o desejo verdadeiro do que realmente importa “ter um lar com família ”...

Um comentário:

  1. veja como são as coisas... o "andarilho" sempre aparece pra vc para te lembrar dessas pequenas coisas!
    q bom q vc tem todas elas. agradeça o cabo de vassoura! tem gente q não tem essa pequena alegria: a de ser golpeado por ela por alguém que te ama!
    beijos

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