segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia mundial da água

A chuva fina chegou. Seja bem-vinda! Era esperada ansiosamente e mesmo de tempos em tempos sua passagem agrada até mesmo os amantes de uma estiagem adversa. Condição esta notada quando uma das fontes da vida se torna escassa, e assim a necessidade de suprir as relíquias de cada corpo é o momento que a chuva fina se alastra por um longo período a ser contemplada. Por volta do século XVIII um estudioso espantou sua sociedade com uma teoria, onde a escassez dos alimentos seria o resultado do aumento desordenado do crescimento populacional. Isto para época era motivo de risos e até mesmo um descaso devido a economia estar centrada no campo. Tempos evoluíram do passado ao hoje e a teoria de época traz uma condição – não em relação aos alimentos – mas uma alarmante e emergente “a falta d’água”. Este fator acarreta também nos alimentos e uma série de processos produtivos para os tempos modernos.


Como a sociedade permitiu isto? Fazendo um breve resgate sobre as classes, percebesse o fator culminante para colaborar que se chama “concentração de renda”. Quem tem não repassa e pouco se preocupa com o básico, com o essencial e mais ainda com as fontes das riquezas naturais primordiais para a vida do ser humano. O ganho no mercado financeiro é a cobiça almejada para acumular riquezas e nada mais. A chuva fina que agrada as plantas do terreno é composta por diversos agentes químicos que as indústrias – da tão necessária revolução industrial – repassam ao meio ambiente se somam nas gotículas que caem na terra dura e seca. As folhas das arvores não são mais verdes. É um tom novo, opaco e sem graça que esconde dia após dia o verde identidade. Os transeuntes da vida urbana correm pelas calçadas na busca das marquises para se abrigarem das gotas nocivas.


Mas isto não é notado. E mesmo ante os noticiários da mídia eletrônica que aborda o tema, o que continua a chamar a devida atenção é o produto da tão necessária revolução industrial, a ditar que o mercado financeiro expõe com clareza as condições do longo prazo para ofertar o ganho, e cativar o cidadão que de camponês se tornou freguês da classe burguesa adaptada. O feudo moderno se tornou crédito e os suseranos capitalistas subjugam os vassalos consumistas na troca mais doida da condição humana “satisfação”. Mas voltemos à chuva fina. Sua constância pelo dia é uma bênção, pois mansamente cai nas folhas verdes – lembrando que já não são mais as mesmas – e no momento que atingem o solo duro e seco, chegam arrebatadoras e suaves para não danificar o substrato do ciclo vegetal.


É uma piração! Sim, é uma alienação! Isto sai facilmente em palavras porque a abundância do elemento água reforça mais uma vez a dolorida condição humana “satisfação”. Somos insatisfeitos por natureza e assim desfrutamos da iminente escassez da água como satisfeitos em banhos demorados, torneiras abertas, lavagens de roupas, piscinas para o asseio do calor e não do corpo, e uma infinidade de contentamentos que a modernidade necessita dia após dia. Lembrei de um trecho – não de chuva fina – onde a chuva torrencial fazia sulcos na terra seca e dura, e freneticamente as crianças da época – inclusive eu – aproveitavam do momento para fabricar barreiras com lama acumulada. Era um desvairo que cessava no berro da genitora, ou da responsável pelo cuido dos rebeldes inocentes, que com as calças encharcadas e enlamaçadas, sabiam do preço pelo descuido, mas muito gratificantes se sentiam por brincar e brincar. Hoje a rua mudou!


O pavimento absorveu a lama de uma época e mesmo nos locais que esta tecnologia não chegou, a lama também não é a mesma. A chuva torrencial traz – além das gotas nocivas – diversos entulhos como pacotes, latas e inúmeros materiais. E se porventura algum rebelde inocente tentar fazer uma barreira para brincar, irá sentir o peso do ato – não pelo castigo de quem está a zelar, se tiver alguém a zelá-lo – com uma possível chaga que a água da vida trouxe através da poluição que a carcome hoje. Mas voltemos à chuva fina.Seja bem-vinda! E mesmo depois dos inúmeros processos que você sofre pela ação do homem impuro, você ainda é cidadela de “DEUS” a cair nos mais diversos trechos de uma terra que necessita de um ontem , um hoje e um amanhã ...


Obs. - o nome desta crônica é "CHUVA FINA". Estou trazendo ao topo para marcar a passagem de uma data mui relevante e que deve ser assinalada todos os dias...




Um comentário:

  1. Acho que nossos post dialogam. Eu disse um pouco do que você disse, só que com minhas palavras - um enfoque diferente...

    Que essa água mate a sede dos que estão sedentos!

    Beijos e um bom fim de semana...

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