sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O SABIÁ DE PEITO BRANCO


Incrível! Oito anos no ambiente da dor e meu companheiro inseparável da madrugada que sempre está a anunciar a primavera, dedico este texto, O SABIÁ DE PEITO BRANCO. Inúmeras madrugadas entre uma piscada e outra do olho cansado e do corpo sonolento, aos poucos o canto do meu sabia estava sempre a chamar para escutá-lo cada vez mais perto. Diante do possível na calmaria de um ambiente difícil, procurava dar um pouco de atenção para meu amigo “o sabiá”. Sentava no banco de fora próximo a rampa de acesso ao ambiente do descaso onde tem um bebedouro e os telefones públicos e ao longe escutava o sabiá a cantar. Muito lentamente se aproximava. Muitas vezes na palmeira ele se acomodava e cantava, por outras nas arvores com poucas folhas ele também se anunciava a cantar! É minha maior alegria como único espectador a admirá-lo incansavelmente! Este sábia não é o sabiá de peito vermelho, mas sim o sabiá de peito branco. É raro aparecer e nunca me deixou na mão nas minhas longas madrugadas a esperar o raiar do dia de sol ou chuva. Seu canto eu escuto com muita clareza, mas a sua aparição poucas vezes se dava ao luxo de mostrar. Conforme o movimento de acompanhantes na parte de fora do ambiente da dor o seu canto ficava ao longe, mesmo sabendo que estava ali o aguardando se aproximar e aos poucos quando percebia que o povo estava a debandar, se aproximava rapidamente e começava a cantar. Poucas vezes o vi e fiquei muito feliz por saber que mesmo próximo da cidade este pássaro raro canta e canta alegre. Sei que é um canto de júbilo, talvez para me acarinhar por compartilhar junto com ele o dia que está a chegar ou até mesmo para me afagar quando a tristeza está a se manifestar ou a alegria a imperar. Mas não importa! Porque sei que a primavera chega e com isto chega o canto do meu sabiá. Este pássaro é a minha estação de rádio que toca sempre a mesma musica, e independente disto fico muito contente em escutar e observar, por saber que nunca está a desanimar com o frio da madrugada ou com a chuva que às vezes está por chegar. O seu canto começa depois das 01h00min da madrugada e se alarga até às 05h00mins da manhã que chega e fica.Quando o barulho do primeiro ônibus que leva o pessoal (cobradores e motorista)a conduzir o movimento de uma cidade grande que está a pulsar, agitar e incomodar o canto do meu sábia é o momento do descanso e rapidamente desaparece.Seu paradeiro pouco sei .Isto é um segredo que ele guarda a sete chaves e para mim pouco interessa , porque o importante é que nunca me abandonou nas noites que estou a trabalhar e portanto fico muito agradecido e feliz por isso .Não tenho medo em dizer que considero o sabiá um grande amigo porque o seu canto é como se fosse palavras para mim numa conversa que somente eu e ele entendemos .Aos poucos fecho meus olhos rapidamente e sinto seu canto envolver meu coração de alegria .Nunca o sabiá me entristece , mesmo sabendo que na difícil batalha dele com a poluição sonora e atmosférica nunca desanima em montar o seu ninho.Este é um segredo que descobri , e sei que quando seus filhotes estão para nascer é o piar de sua companheira que reina a cantar e aos poucos ele se acalma e reveza a partilha da responsabilidade de seus filhotes .Um dia um gato preto apareceu no domínio do sabiá.O tal do gato tinha apenas um olho e por sorte deste motivo numa distração do meu amigo quase o pegou .No momento fiquei sem ação!Foi tudo tão rápido e num movimento insano para tocar o mar dito gato quase me quebrei todo na pequena mureta que cerca o jardim do ambiente da dor. O danado do gato sempre estava a rodear o ninho do meu sabiá e por mais empenho que fizesse o gato ao longe sempre estava a almejar. Mas o sabiá é atilado e ligeiro e mesmo nesta ocasião que deu o ensejo para o gato , fez para salvar a ninhada da sua companheira .Admiro muito este grande amigo por dedicar com grande sacrifício a guarda de seu ninho para que sua companheira possa serenar .Da mesma maneira que o ipê amarelo anuncia a primavera o meu sabiá também o faz .Minha única tristeza nesta relação é que o sabiá do meu ipê amarelo nunca mais surgir e por incrível que pareça neste ambiente hostil que me acostumei a admirar e sofrer um sabiá apareceu para demonstrar que lá no ipê amarelo ele não está , mas agora está aqui me acompanhando... SIGA SEMPRE FIRME MEU SABIÁ DE PEITO BRANCO! MEU GRANDE AMIGO...


Obs. - um texto antigo que traz meus primeiros passos na escrita . É sempre bom fazer uma releitura ...


2 comentários:

  1. Que linda história!!! Uma cumplicidade de vida, única...são os sinais de que Deus existe...e nos mostra o equilíbrio da vida..parabéns meu amigo...e obrigada por mais este compartilhar.
    bjs em seu coração...

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  2. Nao é juliana...desculpe entrei com outro gmail aberto, que não o meu, mas do meu filho rsssss..

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