terça-feira, 28 de outubro de 2008

O CAMINHO AO PÉ DA LETRA


Acordei cansado! Horário de verão nunca agrada e agora piorou, pois degola uma hora das férias que dão uma trégua do ambiente da dor. Mas o mês me trouxe algo a mais que dias de alforria, pois é marcado ao pé da letra. Primeiro pelo dia do poeta (20/10) e depois o dia do livro (29/10). Há tempos tento abrir as páginas do silencio, mas não é tarefa fácil. Talvez a cidade não ajude ou colabore. Por quê?Parece que todo o manifesto é uma roda que necessita de uma força misteriosa chamada “interesse”.Mas que interesse é este? Novamente repito o “talvez” a dizer que possa ser por imagem a mostrar status. No virtual senti uma lembrança fraca das palavras e como imagem a embelezar o panfleto a mostrar e desejar leitura. Mas o dia era forte em calor e mesmo de frente ao PC, notei que a leitura passa por reformulação e adaptação. É a chegada do livro eletrônico e o novo tenta superar o velho. Uma imensidão de folhas será acoplada a uma tela de LCD e sabido é que poucas palavras farão o incremento. Mas ainda estou cansado e o dia continua lento, por mais que houve um acrescento em minutos, continua lento. Agora passo pelo fim de tarde e após uma caminhada pelo centro da cidade conservadora, fui ao encontro das palavras observar um empenho grande para motivar o caminho ao pé da letra. Era 19hs adiantadas e quando sentei na cadeira de madeira e na mesa rústica apoiei meus braços pesados, o vaso de barro que estava no centro como ornamento, sentiu toda a energia descarregar na fonte verde da singela planta no topo do vaso. Esmoreceu e logo após pensei em silencio. – O verde da planta também sente a dificuldade! O palco estava pronto e o protagonista confiante a detalhar o conteúdo adquirido a somar honrarias. Mas ainda estava cansado e por mais forças que chegassem a motivar somente tinha a certeza que a noite chegara e ao retornar em casa deitaria a lembrar que a inovação não é bem aceita quando ao pé da letra uma sociedade reconhece o “status cômodo” a esperar uma imagem utópica que mude estas palavras...


Obs. – este texto surgiu no dia 24/10/2008 no bar Quintana onde o escritor e professor Luis Augusto Fischer trouxe sua obra “Borges e Machado”. O primeiro escritor argentino e bem estruturado de berço , o outro brasileiro sofrido que marcou sua geração e as demais com muita força através dos passos difíceis de uma infância pobre...


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