O BAR DO BILO





Depois de uma noitada agitada de trabalho, resolvi passar no “bar do bilo” e dar um talagaço de caninha Trevisan, que fica guardada a sete chaves no estoque, a esperar os fieis clientes que sempre batem cartão logo cedo.

Mas senão bastasse a mar dita queimar a minha goela e tontear ainda mais a minha cachola com o sono que vinha de encontro ao corpo cansado, ocorria que mais um parceiro estava por vir. E diante do atraso do mar dito achei que teria paz pra tomar a minha água ardente. Que engano se passou quando vi o Pacheco adentrar todo faceiro o baita pela porta enferrujada do bar do bilo, que a pouco tinha sido arrombada.

Talvez os meliantes quisessem o precioso liquido, mas isto apenas passou de momento e assim continuei a queimar a goela pra esperar o traia do Pacheco começar o seu discurso.

– E ai Zé perdido por aqui? Logo pensei em silencio pra não provocar a fala do Pacheco, pois depois que o homem começa é de dar nojo, mas então apenas pensei em silencio.

– Se to perdido, talvez seja pela mar dita , pois se perder e ter o azar de achar o Pacheco é um tormento sem fim ! Mas então fiquei em silencio e dei pouca bola pro traia, mas já sabia que a delonga da manha seria um tormento. O Pacheco se aproximou e com o bafo de guarda chuva que fica no canto molhado semanas, pediu pro bilo o liquido precioso.

– Ei bilo! Manda a caninha Trevisan prata da casa e pode aumentar a dose, pois já vi que o Zé é miojo e aqui tem macho forte pra degustar desta água que arde e esquenta.

Ah não me agüentei e então fui de frente com as palavras do Pacheco , mas lembrando que por mais que ele fosse um traia , era meu amigo.

– Pacheco tu ta querendo prosear? – Então vamos! E pra ajudar pedi mais um acrescento no meu copo que vazio já estava. – Pois é magro, tu achas que sou miojo e te digo uma tu és um “coxinha” filha da...!

Ah pra que fui cutucar e falar do time do traia, pois a mãe do cara é santa e assim deixamos de fora pra não comprometer o texto.

– Ora, ora Zé, parece que teu timeco ta se aproximando da segunda! Então retruquei.

– Claro que ta, pois hoje é segunda, esqueceu que amanhecemos de serviço? Tava feito o barulho e tocar no assunto do tal futebol é pior que falar de religião e política, pois a paixão de todo o brasileiro é o futebol em primeiro lugar, nem que custe o casamento. E assim percebi que um antigo dizer vem claro na minha mente, mesmo anestesiado pelo sono e pela preciosidade do bar do bilo, sua água ardente. Então lembrei que futebol, política e religião não se falam, pois o rolo é eminente e por isso que futebol vem no primeiro escalão da discussão, por ser o povo a desabafar a sua revolta diante de tanta corrupção e falsidade. Mas o problema seria o Pacheco, realmente seria um problema.

– Zé esqueceu que o meu time sobe como foguete pro titulo? Logo detonei.

– É Pacheco, mas tudo que sobe tem que descer, esta é a lei da física. Dois cozidos falando de física é um martírio, mas o assunto era o futebol, então deixemos de lado o ensino publico que há tempos ta fudido por todo lugar.

– Zé pare você vem falar do meu time, sendo que tu és casado com uma coxa branca!

Ah o sangue vermelho e preto ferveu e depois de mais um gole do liquido precioso, comecei. – Pacheco escute bem! Sou sim casado com uma “coxinha” que saboreio todas as noites que não estou de plantão e assim percebo que meu ego ta satisfeito por f... o teu timeco neste trecho ! Ah!Outra coisa te digo! Tua motoca é vermelha e tua vestimenta que o abriga do vento, da chuva e do frio desta cidade que vive as quatro estações num dia, é da cor do meu adorado “furacão” vermelho e preto ! E agora você vem falar da minha patroa? Pode parar e tome tento sujeito, pois tu és coxinha ou é homem?

Ih percebi que tinha pegado pesado e seria um tormento escutar o revés do Pacheco que tava quase cozido a cair , tanto de sono , como de água ardente no coro ou melhor na goela.

– Zé é o seguinte! Teu time é fraco e tu iras abraçar e chorar com os tricolores que se aproximam da terceira e por sorte irão se abraçar para se cumprimentar cada qual para apenas dar adeus a elite. O Pacheco cozido que só, esqueceu que o bilo era paranista.

– Ei rapaziada futebol no meu bar da prejuízo , então vamos calar a boca , senão corto a cana dos dois , antes que de cana .

O bilo era homem sábio e cessou no ato a prosa que poderia levar a vias de fato, e por mais que fosse amigo do Pacheco, a água ardente do bilo tava fazendo efeito alucinógeno e o Pacheco também sentiu isto.

Cumprimentemos-nos a todos e cada qual seguiu seu rumo e quando cheguei torto em casa , antes de cair na cama pensei.

– É! O tal futebol é paixão mesmo, pois o bilo mesmo sendo paranista, não deixou dois amigos desmancharem algo tão bonito chamado “respeito” e assim deitei sossegado a esperar mais uma noite de trabalho a vir ...

Comentários

  1. esse traia do 'pacheco', é a cara do zé'....
    gostei do texto Giba
    abraço

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  2. ADOREI SEU TEXTO, ADORO TUDO QUE ESCREVE , MARAVILHOSO... BJUS GIBA!!!!

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  3. Meu caro amigo Zé,você além de poeta também é um sábio,é claro que nós atleticanos coxinhas e paranistas somos e sempre seremos inimigos,dentro das quatro linhas é claro.Porém,podemos conviver tranquilamente fora das quatro linhas,rss..um abraço!

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