segunda-feira, 16 de março de 2009

O BAR DO BILO



video


Depois de uma noitada agitada de trabalho, resolvi passar no “bar do bilo” e dar um talagaço de caninha Trevisan, que fica guardada a sete chaves no estoque, a esperar os fieis clientes que sempre batem cartão logo cedo.

Mas senão bastasse a mar dita queimar a minha goela e tontear ainda mais a minha cachola com o sono que vinha de encontro ao corpo cansado, ocorria que mais um parceiro estava por vir. E diante do atraso do mar dito achei que teria paz pra tomar a minha água ardente. Que engano se passou quando vi o Pacheco adentrar todo faceiro o baita pela porta enferrujada do bar do bilo, que a pouco tinha sido arrombada.

Talvez os meliantes quisessem o precioso liquido, mas isto apenas passou de momento e assim continuei a queimar a goela pra esperar o traia do Pacheco começar o seu discurso.

– E ai Zé perdido por aqui? Logo pensei em silencio pra não provocar a fala do Pacheco, pois depois que o homem começa é de dar nojo, mas então apenas pensei em silencio.

– Se to perdido, talvez seja pela mar dita , pois se perder e ter o azar de achar o Pacheco é um tormento sem fim ! Mas então fiquei em silencio e dei pouca bola pro traia, mas já sabia que a delonga da manha seria um tormento. O Pacheco se aproximou e com o bafo de guarda chuva que fica no canto molhado semanas, pediu pro bilo o liquido precioso.

– Ei bilo! Manda a caninha Trevisan prata da casa e pode aumentar a dose, pois já vi que o Zé é miojo e aqui tem macho forte pra degustar desta água que arde e esquenta.

Ah não me agüentei e então fui de frente com as palavras do Pacheco , mas lembrando que por mais que ele fosse um traia , era meu amigo.

– Pacheco tu ta querendo prosear? – Então vamos! E pra ajudar pedi mais um acrescento no meu copo que vazio já estava. – Pois é magro, tu achas que sou miojo e te digo uma tu és um “coxinha” filha da...!

Ah pra que fui cutucar e falar do time do traia, pois a mãe do cara é santa e assim deixamos de fora pra não comprometer o texto.

– Ora, ora Zé, parece que teu timeco ta se aproximando da segunda! Então retruquei.

– Claro que ta, pois hoje é segunda, esqueceu que amanhecemos de serviço? Tava feito o barulho e tocar no assunto do tal futebol é pior que falar de religião e política, pois a paixão de todo o brasileiro é o futebol em primeiro lugar, nem que custe o casamento. E assim percebi que um antigo dizer vem claro na minha mente, mesmo anestesiado pelo sono e pela preciosidade do bar do bilo, sua água ardente. Então lembrei que futebol, política e religião não se falam, pois o rolo é eminente e por isso que futebol vem no primeiro escalão da discussão, por ser o povo a desabafar a sua revolta diante de tanta corrupção e falsidade. Mas o problema seria o Pacheco, realmente seria um problema.

– Zé esqueceu que o meu time sobe como foguete pro titulo? Logo detonei.

– É Pacheco, mas tudo que sobe tem que descer, esta é a lei da física. Dois cozidos falando de física é um martírio, mas o assunto era o futebol, então deixemos de lado o ensino publico que há tempos ta fudido por todo lugar.

– Zé pare você vem falar do meu time, sendo que tu és casado com uma coxa branca!

Ah o sangue vermelho e preto ferveu e depois de mais um gole do liquido precioso, comecei. – Pacheco escute bem! Sou sim casado com uma “coxinha” que saboreio todas as noites que não estou de plantão e assim percebo que meu ego ta satisfeito por f... o teu timeco neste trecho ! Ah!Outra coisa te digo! Tua motoca é vermelha e tua vestimenta que o abriga do vento, da chuva e do frio desta cidade que vive as quatro estações num dia, é da cor do meu adorado “furacão” vermelho e preto ! E agora você vem falar da minha patroa? Pode parar e tome tento sujeito, pois tu és coxinha ou é homem?

Ih percebi que tinha pegado pesado e seria um tormento escutar o revés do Pacheco que tava quase cozido a cair , tanto de sono , como de água ardente no coro ou melhor na goela.

– Zé é o seguinte! Teu time é fraco e tu iras abraçar e chorar com os tricolores que se aproximam da terceira e por sorte irão se abraçar para se cumprimentar cada qual para apenas dar adeus a elite. O Pacheco cozido que só, esqueceu que o bilo era paranista.

– Ei rapaziada futebol no meu bar da prejuízo , então vamos calar a boca , senão corto a cana dos dois , antes que de cana .

O bilo era homem sábio e cessou no ato a prosa que poderia levar a vias de fato, e por mais que fosse amigo do Pacheco, a água ardente do bilo tava fazendo efeito alucinógeno e o Pacheco também sentiu isto.

Cumprimentemos-nos a todos e cada qual seguiu seu rumo e quando cheguei torto em casa , antes de cair na cama pensei.

– É! O tal futebol é paixão mesmo, pois o bilo mesmo sendo paranista, não deixou dois amigos desmancharem algo tão bonito chamado “respeito” e assim deitei sossegado a esperar mais uma noite de trabalho a vir ...

4 comentários:

  1. esse traia do 'pacheco', é a cara do zé'....
    gostei do texto Giba
    abraço

    ResponderExcluir
  2. ADOREI SEU TEXTO, ADORO TUDO QUE ESCREVE , MARAVILHOSO... BJUS GIBA!!!!

    ResponderExcluir
  3. Meu caro amigo Zé,você além de poeta também é um sábio,é claro que nós atleticanos coxinhas e paranistas somos e sempre seremos inimigos,dentro das quatro linhas é claro.Porém,podemos conviver tranquilamente fora das quatro linhas,rss..um abraço!

    ResponderExcluir

Licença de direitos autorais(leia com atenção). Ao copiar textos, lembre de acrescentar os créditos. Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution License.